Sem acordo de delação, ex-dono do Banco Master muda estratégia e propõe ressarcir até R$ 60 bilhões ao longo de uma década. A negociação envolve benefícios judiciais em troca da devolução dos recursos.
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, mudou a linha de defesa e passou a priorizar um acordo de devolução de recursos em troca de benefícios judiciais. A decisão foi tomada depois de duas propostas de delação premiada terem sido rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi confirmada nesta terça-feira, 14.
Nas tratativas anteriores, o ex-banqueiro se comprometeu a colaborar com as investigações e ofereceu restituir valores estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões, parcelados ao longo de aproximadamente dez anos. Segundo investigadores, o montante está ligado a irregularidades apuradas na gestão do Banco Master.
A PF exigiu garantias mais robustas para o pagamento das multas e prazos imediatos para o ressarcimento, condição que não foi atendida nas minutas apresentadas.
Sem avanços na colaboração premiada, Vorcaro optou por concentrar esforços em um acordo exclusivamente financeiro. Nessa modalidade, ele busca obter reduções de pena e outras vantagens processuais sem a obrigação de entregar provas ou informações sobre terceiros. Fontes próximas ao caso avaliam que a estratégia pode facilitar o reembolso ao erário, mas reduz o potencial de produção de provas para os investigadores.
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Para conduzir as novas negociações, o ex-controlador iniciou conversas com escritórios de advocacia especializados em casos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Disputam a causa a banca dos criminalistas Cezar e Vânia Bitencourt — defensores do tenente-coronel Mauro Cid em outro processo — e o escritório do advogado Daniel Bialski. Até o momento, não há definição sobre qual equipe assumirá formalmente o caso.
A prisão de familiares teria influenciado a mudança de postura. Durante as apurações, a PF deteve o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, o primo Felipe Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel. Pessoas próximas relatam que, após essas prisões, o banqueiro se mostrou reticente em firmar delação e passou a tratar a devolução do dinheiro como prioridade.
A investigação também mirou o publicitário Thiago Miranda, apontado como responsável pela comunicação de Vorcaro. A PF apreendeu o passaporte dele ao indicar risco de fuga para o exterior.
No sábado, 11, Vorcaro recebeu os advogados Cezar e Vânia Bitencourt no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde permanece preso preventivamente. O encontro serviu para discutir os próximos passos da defesa e detalhes de um possível acordo de ressarcimento imediato, hipótese vista como alternativa para reduzir o tempo de prisão do ex-banqueiro.
Procuradores ouvidos reservadamente afirmam que, mesmo sem colaboração premiada, qualquer proposta de devolução será analisada com base na solidez das garantias apresentadas e na celeridade do pagamento. Caso a oferta avance, o termo precisará ser homologado pelo STF.
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