Operação conjunta deteve barco pesqueiro a caminho da África com uma das maiores apreensões de drogas do país. A carga chegou à Base Naval de Belém nesta segunda-feira.
A embarcação pesqueira detida em alto-mar pela Polícia Federal (PF) e pela Marinha do Brasil chegou à Base Naval de Belém, no Pará, na manhã desta segunda-feira, 13/07. A bordo estavam 3.748 quilos de cocaína pura, avaliados em cerca de R$ 500 milhões no mercado internacional, segundo estimativa preliminar dos peritos.
O barco havia sido interceptado em 07/07, aproximadamente na metade do trajeto planejado entre a costa paraense e o continente africano. A abordagem foi conduzida pelo Navio-Patrulha Bocaina, que permaneceu dez dias no mar em operação conjunta com equipes da PF. Durante a vistoria, os agentes localizaram mais de 100 fardos da droga e constataram, por testes rápidos, tratar-se de cocaína de alta pureza.
Quatro brasileiros — o comandante e três tripulantes — foram presos em flagrante. Eles responderão por tráfico internacional, associação criminosa e financiamento do tráfico. A PF informou que o grupo cooperou durante a inspeção e que o barco navegava sem documentação regular, equipado com tanques extras de diesel capazes de sustentar uma travessia de 10 a 15 dias até a África.
“As investigações continuam para identificar os financiadores da operação e toda a cadeia criminosa envolvida no carregamento”, declarou o superintendente regional da PF, delegado Alexandre de Andrade Silva.
A ofensiva é fruto de inquérito aberto em abril, com apoio de agências estrangeiras de inteligência, entre elas a DEA, dos Estados Unidos, e a força-tarefa JIATF-South, ligada ao Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas. Os investigadores acompanhavam a rota conhecida como “caminho do Suriname”, cada vez mais utilizada para escoar entorpecentes produzidos na Amazônia rumo à Europa e à África.
Concluída a descarga dos pacotes, peritos iniciaram a pesagem oficial e a catalogação individual de cada fardo, procedimento indispensável para o inquérito. A partir de terça-feira, 14/07, técnicos da Marinha e da PF darão início ao exame detalhado da embarcação, medida que pode esclarecer a logística adotada, eventuais compartimentos ocultos e o tempo exato de navegação.
Dados preliminares indicam que o barco foi construído em estaleiro do Pará e que os quatro detidos também são naturais do estado. Celulares, documentos e equipamentos de navegação foram recolhidos para perícia digital. Os investigadores buscam mapear desde os fornecedores da droga até os possíveis receptadores no exterior, além de rastrear transferências financeiras que sustentaram a viagem.
A operação reforça a cooperação internacional no combate ao tráfico transatlântico de entorpecentes e confirma a importância estratégica da região amazônica nas rotas ilícitas que ligam América do Sul, Caribe, Europa e África.
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