Em visita ao Centro Nuclear de Aramar, em São Paulo, o presidente prometeu recursos federais para concluir o projeto. A obra é estratégica para o programa naval da Marinha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou HOJE o Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), e prometeu liberar recursos federais para finalizar o reator que integrará o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.
Durante a passagem pelo complexo mantido pela Marinha, o chefe do Executivo reforçou a orientação de que o projeto receba status de prioridade na elaboração do próximo Orçamento. A estrutura é considerada peça central do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), criado para ampliar a capacidade de defesa naval do país.
Dados apresentados por representantes da força indicam que o Brasil detém reservas significativas de urânio — com menos de um terço do território prospectado — e domina a tecnologia de enriquecimento, etapa essencial para a fabricação de combustível nuclear. Mesmo assim, a conclusão do reator depende de verbas adicionais que, segundo o presidente, deverão ser garantidas ainda este ano.
“A gente não tem soberania nacional porque faz discurso. O que não podemos é ter um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira”
O presidente também recordou que, caso o cronograma avance, o Brasil se tornará um dos poucos integrantes do Conselho de Segurança da ONU capazes de operar um submarino nuclear — item restrito às potências que já dominam a tecnologia.
A Marinha classifica iniciativas desse porte como “projetos estruturantes de Estado” e sustenta que a continuidade depende de previsibilidade orçamentária. A fala do presidente, direcionada a ministros presentes na cerimônia, buscou alinhar a equipe econômica e a área militar em torno do financiamento.
Ao longo do evento, Lula comemorou ainda a recente descoberta de petróleo na Foz do Amazonas e fez menção à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que participou da visita.
“Depois da descoberta do petróleo na margem equatorial, essa moça parece a rainha da Arábia Saudita”
No discurso, o presidente traçou paralelo entre a exploração de recursos energéticos e o desenvolvimento de meios de dissuasão, argumentando que ambos reforçam a autonomia nacional. Ele defendeu que investimentos em defesa não devem ser vistos como gastos supérfluos, mas como alicerce para poder “dizer não” em negociações internacionais.
A agenda em Iperó encerrou-se sem anúncios de valores ou prazos específicos, mas integrantes do governo indicaram que os montantes necessários serão detalhados na proposta de Lei Orçamentária Anual que chegará ao Congresso nas próximas semanas. O cronograma exato de conclusão do reator permanece condicionado à liberação efetiva dos recursos.
O próximo passo caberá agora à área econômica, que deve consolidar as cifras antes de enviar o texto aos parlamentares. A Marinha, por sua vez, mantém a estimativa de iniciar os testes de integração do reator assim que o financiamento estiver assegurado.
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