O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22), em Nova Délhi, que deseja pedir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um tratamento equânime para todas as nações, sem imposições das mais fortes sobre as mais fracas.
Ao comentar a possível reunião com o líder norte-americano, prevista para março, Lula declarou que “não queremos uma nova Guerra Fria” e que a meta brasileira é manter relações paritárias com todos os países. Segundo ele, caso essa postura seja aceita, “tudo voltará à normalidade”.
As declarações foram dadas após encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ocasião em que Brasil e Índia assinaram um acordo sobre minerais críticos e terras raras. No mesmo ato, os dois governos reiteraram a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 30 bilhões (R$ 156 bilhões) até 2030.
Lula voltou a criticar a cobrança unilateral de tarifas adotada por Trump no ano passado — medida da qual, disse, só tomou conhecimento “pelo Twitter”. O brasileiro reprovou o que classificou como “autoritarismo” nas negociações conduzidas por países grandes e elogiou o diálogo com a Índia, descrito como uma “política dos iguais”.
Parte das sobretaxas impostas por Washington foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, mas o governo norte-americano anunciou posteriormente tarifa adicional de 15% sobre importações.
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Reunião sem temas proibidos
Os dois presidentes, ambos com 79 anos, já se encontraram em outubro passado, na Malásia, em reunião que, segundo Lula, ajudou a reduzir tensões. Naquela ocasião, Trump retirou importantes produtos brasileiros de uma tarifa de 40% imposta meses antes.
Para o próximo encontro, Lula declarou que “nada está fora da pauta” e mencionou especificamente a exploração de terras raras. Ele ressaltou que o país não permitirá que se repita, nesse setor, o modelo histórico do minério de ferro, “quando apenas exportávamos matéria-prima e importávamos o produto manufaturado”.
O chefe do Executivo disse ainda que pretende discutir comércio, parcerias universitárias, a situação dos brasileiros residentes nos Estados Unidos e investimentos norte-americanos no Brasil. “Espero que, depois dessa reunião, retomemos uma relação altamente civilizada e respeitosa”, afirmou.
Lula aproveitou para reiterar apoio à reforma do Conselho de Segurança da ONU, com inclusão de países em desenvolvimento como Brasil, Índia e México. Para ele, fortalecer a organização é “vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo”.
Após compromissos na Índia, a comitiva presidencial segue viagem para a Coreia do Sul e os Emirados Árabes Unidos.
Com informações de Jovem Pan
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