Com Wagner afastado após operação da PF, Lula escolhe Teresa Leitão para comandar sua base no Senado. A petista assume em meio a crise política e com missão de avançar pautas como o fim da escala 6×1.
O Palácio do Planalto confirmou, nesta quinta-feira (25/06), a indicação da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a liderança do governo no Senado. A decisão foi sacramentada após reunião pela manhã entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a parlamentar, que até então comandava a bancada do PT na Casa.
Teresa assume a função ocupada, até a semana passada, por Jaques Wagner (PT-BA). O colega baiano se afastou depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master. A troca ocorre em meio a um momento de tensão entre o Executivo e a Presidência do Senado, comandada por Davi Alcolumbre (União-AP), principalmente após a rejeição de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, fato visto no governo como resultado direto da articulação de Alcolumbre.
De acordo com assessores palacianos, a nova líder terá como prioridade destravar duas propostas consideradas sensíveis para o Planalto: o projeto que encerra a escala de trabalho 6×1, parada desde o fim de maio, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aguarda avanço desde março. Ambas necessitam de sinal verde do presidente do Senado para retornarem à pauta do plenário.
“Atuarei para fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares, especialmente os líderes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contribuindo para a construção de consensos e para o avanço das pautas de interesse do governo e do povo brasileiro”, escreveu Teresa em suas redes sociais.
A senadora também destacou os temas que pretende priorizar: desenvolvimento econômico, justiça social e melhoria da qualidade de vida. Professora e ex-sindicalista, Teresa está no primeiro mandato de oito anos e foi a primeira mulher eleita ao Senado por Pernambuco. Por não disputar as eleições municipais deste ano, ela terá disponibilidade integral para a nova responsabilidade, argumento que pesou em sua escolha.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, elogiou a decisão presidencial e indicou que ampliará sua atuação junto ao Senado para assegurar a tramitação das matérias citadas. Ele afirmou:
“Sua capacidade de diálogo, firmeza de princípios e experiência política serão fundamentais para fortalecer a articulação do governo no Senado, em um momento decisivo para o avanço das políticas públicas que transformam a vida da população.”
Internamente, a avaliação é de que a gestão de Jaques Wagner mantinha relativa autonomia. Com a entrada de Teresa, Guimarães pretende participar mais diretamente das negociações, buscando reduzir ruídos com Alcolumbre e a oposição.
A senadora herda também o desafio de preservar pontes com parlamentares de partidos de centro e direita, de quem costuma receber bom trânsito devido ao perfil conciliador. Integrantes da base avaliam que a habilidade em diálogo, registrada nos cinco mandatos de deputada estadual em Pernambuco, será decisiva para superar o impasse sobre a escala 6×1, considerada um ativo eleitoral para Lula.
Logo após a confirmação oficial, Teresa reiterou, em nota, quatro compromissos que pautam sua carreira: “lealdade, diálogo, disciplina e trabalho”. Ela concluiu defendendo que o Senado avance “sem atrasos” nos temas que afetam diretamente o cotidiano da população trabalhadora e a segurança pública.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









