Lula e Modi cobram reforma da ONU e fecham novos acordos entre Brasil e Índia

Robson Alves
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Durante declaração conjunta concedida na madrugada desta quinta-feira (21) em Nova Delhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Organização das Nações Unidas precisa ampliar a representatividade de seus órgãos de decisão, especialmente o Conselho de Segurança, onde Brasil e Índia pleiteiam assentos permanentes há duas décadas.

Lula criticou a incapacidade do Conselho de atuar em conflitos atuais e sustentou que a incorporação de mais países, entre eles Brasil e Índia, é “condição essencial” para que a governança global ganhe legitimidade e eficácia. O chefe do Executivo brasileiro falou ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que também defendeu reformas no sistema multilateral.

No encontro com jornalistas, o presidente relatou que, em reunião privada anterior, reiterou a Modi o compromisso do Brasil com a paz. “As únicas guerras que a humanidade deve travar são contra a fome, a pobreza e em defesa do meio ambiente”, declarou. Para Lula, não há desenvolvimento sustentável possível em um mundo marcado por conflitos armados.

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Modi concordou com a necessidade de diálogo e diplomacia na solução de crises e classificou o terrorismo — e seus apoiadores — como inimigos de toda a humanidade. Segundo o premiê, atualizar as instituições internacionais é “obrigatório” diante dos desafios contemporâneos, razão pela qual Índia e Brasil pretendem trabalhar em conjunto pela mudança.

Memorandos nas áreas econômica e social

A visita resultou na assinatura de um memorando de entendimentos que abrange pesquisa, saúde, empreendedorismo e minerais críticos. Modi qualificou o acordo sobre minerais críticos e terras raras como passo importante para criar cadeias de suprimento resilientes.

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Lula destacou o avanço indiano em tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial, setores que, segundo ele, oferecem amplas oportunidades de cooperação com o Brasil. O presidente acrescentou que ampliar investimentos em energias renováveis e minerais estratégicos é ponto central do documento firmado.

Na área de saúde, os países concordaram em aprofundar pesquisas e produzir localmente insumos estratégicos, como vacina contra tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e voltados a doenças negligenciadas ou raras. A parceria também prevê colaboração em projetos de “hospitais inteligentes”.

Meta de comércio bilateral

Brasil e Índia decidiram intensificar as trocas comerciais, que ultrapassaram US$ 15 bilhões em 2025, valor considerado histórico por Lula. Os dois governos estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões até 2030. Modi afirmou que o comércio bilateral simboliza a confiança mútua e que ambas as nações estão “comprometidas” em superar o patamar definido.

Em tom descontraído, Lula sugeriu revisar a meta para US$ 30 bilhões no mesmo período, provocando risos do primeiro-ministro indiano e da delegação empresarial brasileira presente ao anúncio.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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