Keiko vence no Peru com diferença irreversível a 99,8% das urnas apuradas

Rafael Ramos
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A direita peruana está a um passo da vitória. Com quase 100% das atas processadas, Keiko Fujimori lidera por mais de 43 mil votos — margem que analistas já consideram impossível de reverter.

Com 99,859% das atas processadas até as 3h10 desta quarta-feira (24/06), a candidata Keiko Fujimori (Fuerza Popular, direita) mantém 50,118% dos votos válidos na disputa pela Presidência do Peru. O opositor Roberto Sánchez (Juntos por el Perú, esquerda) registra 49,882%. A diferença de 43.386 sufrágios é tida por analistas locais como estatisticamente irreversível, restando apenas 131 atas a serem avaliadas pelo Júri Eleitoral Especial (JEE).

O painel oficial contabiliza 92.635 atas concluídas, de um total de 92.766. Segundo a autoridade eleitoral, não há atas pendentes fora das já encaminhadas para análise de eventuais questionamentos formais.

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A apuração foi marcada por sucessivas viradas. Em 8 de junho, Fujimori liderava; no dia seguinte, foi superada por Sánchez. O quadro voltou a se inverter na madrugada de 11 de junho, quando a candidata do Fuerza Popular recuperou a dianteira e não mais a perdeu.

Inconformado com a tendência, Sánchez passou a contestar o processo.

“Precisamos de justiça eleitoral e transparência”,

declarou na sexta-feira (19/06), durante manifestação em Lima pela revisão da contagem. Ele prometeu apresentar recursos e sinalizou que não reconhecerá o resultado até que todas as impugnações sejam julgadas.

O principal foco das queixas é o voto dos peruanos no exterior, segmento em que Fujimori obtém vantagem expressiva. A campanha de Sánchez sustenta que mudanças de procedimento comprometeram a cadeia de custódia das atas. Na segunda-feira (22/06), o candidato solicitou a anulação desses boletins, o que poderia afetar cerca de 300 mil votos. Pelos cálculos de sua equipe, sem esse universo ele ficaria 25 mil sufrágios à frente.

As autoridades eleitorais rejeitam irregularidades. Missões de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia atestam que a votação transcorre de forma regular desde o primeiro turno e aconselham eleitores e políticos a aguardarem o desfecho dos recursos administrativos.

Keiko Fujimori, 49 anos, disputa a Presidência pela quarta vez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela construiu base robusta entre eleitores que defendem políticas de mercado e segurança pública rígida. Já Roberto Sánchez, economista de 42 anos, propõe ampliar programas sociais e rever contratos de exploração mineral.

A disputa ocorre em cenário de instabilidade institucional: desde 2016, o país soma oito presidentes — quatro destituídos, dois renunciantes e um mandato interino de apenas oito meses. O atual chefe do Executivo, José Balcázar, assumiu em fevereiro de 2026 e permanece até a posse do vencedor desta eleição.

Com a totalização próxima do fim, o tribunal eleitoral informa que a proclamação do resultado oficial depende apenas da análise dos últimos recursos. Caso nenhum pedido altere o quadro, Fujimori será declarada presidente eleita pelos próximos cinco anos.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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