Pesquisa da CNI revela que quase todas as empresas que buscaram crédito nos Fundos Constitucionais fecharam contrato. Taxas reduzidas são o principal atrativo para o setor produtivo.
As condições de crédito oferecidas pelos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) consolidaram-se como um dos principais estímulos para a indústria entre 2022 e 2025. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), divulgado nesta quarta-feira, 15 de julho, mostra que 94% das empresas que recorreram aos FCFs efetivaram a contratação de recursos sobretudo pelas taxas de juros reduzidas.
Os FCFs – Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO) – utilizam recursos públicos para atenuar o custo do capital. Na pesquisa, o juro aparece como o principal atrativo, citado pela ampla maioria das entrevistadas. Outros fatores relevantes foram os prazos de pagamento e de carência (56%) e o relacionamento prévio com o banco operador (24%).
“As taxas de juros costumam ser o maior entrave para a obtenção de crédito no país. A pesquisa mostra que a política pública tem conseguido sanar esse gargalo”, afirmou Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Apesar do interesse, obstáculos persistem. Quase quatro em cada dez indústrias (38,1%) declararam desconhecer a existência dos fundos. Entre aquelas que souberam da política mas não seguiram adiante, 38,5% apontaram a burocracia ou a demora na análise das propostas como motivo de desistência. Já entre as que efetivamente solicitaram o empréstimo, 38% consideraram excessivas as garantias exigidas pelos bancos.
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O destino dos recursos confirma o perfil de longo prazo da iniciativa. Para 56% das empresas, a principal aplicação foi a compra de máquinas e equipamentos. Outras 22% investiram em expansão ou modernização de plantas industriais, enquanto apenas 18% direcionaram o montante exclusivamente a capital de giro. Os impactos foram considerados positivos por 88,6% das companhias, que relataram modernização de processos, aumento da capacidade produtiva e geração de empregos.
Quanto à satisfação geral, 68% classificaram a experiência como positiva. As taxas de juros (56,3%) e o atendimento (40,6%) lideram a lista de pontos favoráveis. Entre os 24% que se disseram insatisfeitos, metade citou problemas no atendimento e nos prazos de carência.
A pesquisa entrevistou 147 empresas industriais entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, analisando operações conduzidas nos três anos anteriores. O estudo integra um acordo de cooperação entre CNI e MIDR destinado a ampliar a participação do setor industrial nos fundos constitucionais e a identificar gargalos que ainda limitam o acesso ao crédito subsidiado.
Para analistas, os dados reforçam a importância de simplificar procedimentos sem comprometer a segurança das operações. A CNI avalia que há espaço para tornar as linhas voltadas à indústria mais competitivas em relação às ofertadas ao setor rural, historicamente beneficiado por condições ainda mais vantajosas.


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