A inadimplência no campo dispara e deixa produtores sem crédito. Juros elevados e safras perdidas destroem a capacidade de pagamento. Bancos já aumentam o risco nas operações do agronegócio.
A inadimplência no campo cresce em ritmo acelerado e coloca o produtor rural diante de um triplo obstáculo: juros elevados, restrição de crédito e instabilidade climática. O cenário, apontado por especialistas do setor, acende alerta em bancos e cooperativas, que já avaliam o aumento do risco para operações no agronegócio.
Instituições financeiras, segundo analistas, veem a elevação dos índices de atraso como sinal de que parte dos produtores perdeu capacidade de pagamento depois de sucessivas safras afetadas por estiagens isoladas ou excesso de chuva em regiões-chave. A variação do câmbio, que impacta custos de fertilizantes e defensivos, também pressiona a margem de lucro e contribui para o endividamento.
Diante desse contexto, as carteiras de crédito rural tendem a ficar mais restritas nos próximos ciclos, especialmente para operações de médio e longo prazo. Gestores de risco ouvidos pelo programa A Força do Agro, exibido na terça-feira, 23/06, relataram que novas contratações deverão passar por análise mais rígida de garantias e histórico de pagamento.
“tropicalização”
Enquanto o fluxo de recursos aperta, fabricantes de máquinas agrícolas buscam adaptar seus produtos à realidade brasileira para manter a demanda. Na feira Agrishow, a multinacional alemã Horsch destacou o processo de “tropicalização” de suas linhas, adequando plantadeiras e pulverizadores a diferentes tipos de solo, relevo e regime hídrico encontrados no país. A estratégia mira produtores que precisam ganhar eficiência, mas enfrentam limitações de caixa para ampliar a área plantada.
A edição de A Força do Agro também apresentou a Amazon Mudas, empresa que fornece mudas clonais e sementes selecionadas para reflorestamento e agricultura comercial. A companhia aposta em variedades de rápido crescimento e maior resistência a pragas para reduzir perdas em campo.
Com duração de cerca de 20 minutos, o programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 19h50, e se propõe a conectar o público urbano às pautas do agronegócio. Na edição de 23/06, especialistas discutiram caminhos para renegociação de dívidas, opções de hedge cambial e práticas de manejo sustentável capazes de amortecer oscilações de preço.
Embora o curto prazo apresente desafios, consultores ouvidos apontam que a demanda interna e externa por alimentos continua firme, o que deve sustentar investimento em tecnologia e insumos. Entretanto, alertam que a recuperação da capacidade de pagamento depende da combinação de condições climáticas favoráveis e de linhas de financiamento adaptadas à volatilidade recente.
Produtores entrevistados reafirmaram a disposição em ajustar custos, mas pedem políticas previsíveis para planejamento de longo prazo. Sem juros mais compatíveis com a renda do campo, advertem, o risco é ver a inadimplência avançar ainda mais e comprometer a próxima safra.
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