Janja viajou mais que Lula e chama críticas de ‘misoginia’

Rafael Ramos
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A primeira-dama ficou 182 dias fora do Brasil em três anos, 24 a mais que o próprio presidente. Para ela, quem questiona os gastos é misógino.

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, afirmou nesta segunda-feira, 13 de julho, que as críticas direcionadas aos custos e à frequência de suas viagens internacionais derivam de “misoginia pura”. A declaração foi feita durante participação no podcast Frente a Frente, do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL.

Levantamento do site Poder360 apontou que, entre janeiro de 2023 e maio de 2026, Janja permaneceu 182 dias fora do Brasil, 24 dias a mais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que somou 158 dias no exterior no mesmo período. Nesse intervalo, Lula realizou 45 viagens internacionais. Em 2026, o chefe do Executivo esteve 20 dias fora do País.

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Segundo o mesmo levantamento, a primeira-dama integrou agendas oficiais recentes na Itália, França, Japão e Rússia. A ampliação da presença de Janja em missões presidenciais motivou questionamentos públicos sobre valores de diárias, trechos aéreos e composição de comitivas.

“Nunca falamos sobre eu gastar demais; às vezes colocam todos os gastos da comitiva de uma viagem na minha conta”, declarou Janja. “Não posso andar de econômica, tem que ser executiva, é questão de segurança.”

Ela explicou que protocolos da Polícia Federal determinam o uso de classe executiva para autoridades e acompanhantes diretos. Disse ainda que parte das críticas tem como alvo final o presidente da República. Janja argumentou que, desde o início do terceiro mandato de Lula, exerce uma função institucional inédita para o cargo de primeira-dama, com foco em combate à fome, enfrentamento à violência contra a mulher e promoção de igualdade de gênero.

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De acordo com a própria Janja, sua agenda inclui reuniões no Palácio do Planalto “quase todos os dias”, elaboração de briefings antes de cada viagem e apresentação posterior de relatórios sobre resultados. Ela mencionou norma interna, editada há dois anos pelo governo, que regulamenta suas atribuições para reforçar transparência.

“A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”, afirmou. “Eu presto contas, tudo meu é público.”

Na entrevista, Janja relatou ainda ter sofrido assédio em compromissos oficiais e prestou solidariedade à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, que acusou o então ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida de importunação sexual em 2024. Sem detalhar casos pessoais, ela criticou a cobrança feita a vítimas para que relatem imediatamente episódios de assédio.

A primeira-dama defendeu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que tipifica a misoginia como crime, classificando o tema como “apartidário”.

Em abril, o Tribunal de Contas da União arquivou, por unanimidade, processos que questionavam despesas e deslocamentos de Janja, concluindo não haver irregularidades.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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