Israel e EUA somam 400 ataques a saúde no Líbano e Irã

Robson Alves
4 Min Leitura

Israel e Estados Unidos são acusados de atingir centros de saúde – Levantamentos oficiais do Líbano e do Irã indicam quase 400 unidades médicas danificadas desde 2 de março, com dezenas de profissionais mortos e hospitais fechados.

Líbano registra 70 alvos e 42 mortos

O Ministério da Saúde libanês informou, nesta terça-feira (24 de março), que 70 instalações de saúde foram bombardeadas. Duas semanas antes, o total era de 18.

Os ataques fecharam cinco hospitais e causaram danos parciais a outros nove, além de forçar a interrupção de 54 unidades básicas. No conjunto, 42 profissionais de saúde morreram e 119 ficaram feridos.

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No mesmo dia, dois paramédicos foram mortos em Nabatieh durante bombardeio israelense contra um comboio de motocicletas, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma os dados e alerta que a infraestrutura sanitária libanesa, já sobrecarregada por 2,9 mil feridos, foi “gravemente afetada”.

FDI e Anistia divergem sobre uso de hospitais

A Força de Defesa de Israel (FDI) alega que o Hezbollah faz “uso militar extensivo” de ambulâncias e hospitais e promete agir contra a prática, declarou o porta-voz Avichay Adraee ao jornal The Times of Israel.

“Lançar acusações […] sem apresentar qualquer prova não justifica tratar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha”, afirmou Kristine Beckerle, diretora-adjunta para Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional.

Irã aponta 313 instalações danificadas

Também nesta terça-feira (24 de março), o Ministério da Saúde iraniano relatou danos a 313 hospitais, centros médicos, ambulâncias ou equipamentos, com 23 profissionais mortos.

A Crescente Vermelha Iraniana calcula 281 locais afetados. O presidente da entidade, Pir-Hossein Kolivand, afirmou:

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“Dezessete bases da Cruz Vermelha e 94 ambulâncias foram alvejadas diretamente por mísseis inimigos.”

Até 18 de março, a OMS havia confirmado 20 ataques e nove mortes no país.

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Washington nega ter atingido alvos civis. O secretário de Estado, Marco Rubio, reconheceu a possibilidade de “efeitos colaterais” durante as operações.

Estrategista vê ação deliberada

Para o jornalista e analista geopolítico Anwar Assi, o volume de ataques indica estratégia deliberada de intimidar civis.

“É um crime de guerra. Querem pressionar a população mostrando que não haverá ajuda. Israel faz isso desde a década de 1990”, disse Assi.

Ele acrescenta que bombardeios a prédios vizinhos fragilizam grandes hospitais ao quebrar vidraças e forçar evacuações.

Contexto em Gaza e Cisjordânia

Na Faixa de Gaza, a OMS contabiliza 931 ataques a unidades de saúde desde 7 de outubro de 2023 e outras 940 ocorrências na Cisjordânia. Os incidentes mataram 991 profissionais e feriram 2 mil.

Israel atribui as ações ao uso de hospitais como “escudo” pelo Hamas, que nega. O Exército israelense afirma que respeita o direito humanitário e emite alertas de evacuação antes dos bombardeios.

Ataques contra unidades de saúde representam violação do direito humanitário internacional. Até o momento, não há registro de ações semelhantes contra hospitais em Israel ou em países do Golfo atingidos por mísseis iranianos.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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