A fabricante nacional Irani anuncia novo ciclo de investimentos para modernizar ativos e ampliar capacidade produtiva. O projeto Gaia XII eleva produção anual de 60 mil para 96 mil toneladas.
A Irani, fabricante nacional de papel para embalagens e papelão ondulado, confirma o início de um novo ciclo de investimentos voltado à modernização de ativos e à expansão geográfica. A estratégia parte do projeto Gaia XII, já aprovado, que destina R$ 514 milhões em Capex bruto (R$ 453 milhões em Capex líquido) à modernização da máquina de papel MP#7, cuja capacidade anual deve saltar de 60 mil para 96 mil toneladas, um avanço de 60%.
De acordo com o diretor de Administração, Finanças e Relações com Investidores, André Camargo de Carvalho, o critério central para qualquer aporte continua sendo a criação de valor ao acionista.
“Mesmo com as taxas de juros em níveis elevados, o projeto apresenta retorno acima do custo de capital da companhia. Essa é uma condição fundamental para qualquer investimento aprovado pela Irani”,
afirmou o executivo.
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Além de ampliar a escala produtiva, a modernização promete ganhos em eficiência operacional, qualidade do produto e índices de sustentabilidade. O projeto permitirá fabricar papéis de menor gramatura, reduzir emissões de carbono por tonelada produzida e otimizar o consumo de insumos. Todo o volume adicional será direcionado internamente às unidades de conversão da empresa, onde o papel se transforma em embalagens de papelão ondulado.
“A captura de valor está muito mais dentro de casa do que dependente de fatores externos. Isso torna o investimento mais seguro em um ambiente de incertezas macroeconômicas”,
ressaltou Carvalho.
O mercado doméstico continua sendo o principal pilar da estratégia corporativa: menos de 20% da receita atual vem de exportações, e os segmentos ligados ao consumo de alimentos lideram a demanda. Segundo a companhia, o Brasil deve manter trajetória de crescimento como produtor global de alimentos, o que sustenta a procura por embalagens industriais. Historicamente, o mercado brasileiro de papelão ondulado avança cerca de 2,5% ao ano em volume, ritmo usado nas projeções internas. Com fatia aproximada de 4% nesse segmento, a Irani avalia possuir amplo espaço para ganhar participação.
Durante o Investor Day, a direção apresentou a Plataforma Neos, plano de longo prazo que prevê duas novas fábricas de embalagens e uma unidade adicional de produção de papel. A primeira planta, a ser submetida ao conselho ainda em 2026, terá capacidade estimada de 120 mil toneladas anuais, volume próximo a 70% da capacidade total atual da empresa. A região entre o Sul de Minas Gerais e o interior paulista desponta como prioridade pelo alto índice de clientes industriais e pelo potencial de redução de custos logísticos.
Se as três novas unidades saírem do papel, a capacidade instalada da Irani poderá mais que dobrar ao longo da próxima década. Embora a direção ainda não divulgue cifras para esses projetos, Carvalho assegura que se aplicará a mesma disciplina financeira que orientou o Gaia XII, com foco em retorno acima do custo de capital e em mitigação de riscos macroeconômicos.
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