Irã ataca bases dos EUA no Golfo após bloqueio naval americano

Robson Alves
4 Min Leitura

Tensão explode no Oriente Médio. A Guarda Revolucionária iraniana afirma ter atingido alvos militares americanos no Kuwait, Bahrein e Jordânia em resposta ao cerco naval imposto por Washington.

O governo do Irã declarou que conduziu, entre a noite de terça-feira (14/07) e a madrugada desta quarta-feira (15/07), uma série de ataques contra alvos militares ligados aos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico. De acordo com comunicados divulgados pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e veiculados por agências de notícias iranianas, as ações teriam atingido pontos estratégicos no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia.

A ofensiva ocorreu poucas horas depois de Washington anunciar a retomada do bloqueio naval a embarcações que entram ou saem de portos iranianos. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que o bloqueio começou às 17h (horário de Brasília) de terça-feira. Teerã apresentou a medida como justificativa para seus bombardeios.

Publicidade

“Respondemos a atos de agressão que colocam em risco nossa soberania e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, afirmou a IRGC em nota oficial.

No Kuwait, a corporação iraniana disse ter atingido um centro logístico do Exército norte-americano em Mina Abdullah, incendiando o prédio. A Força de Bombeiros do país relatou ter controlado um incêndio decorrente de “agressão aérea hostil”, mas não confirmou a autoria nem detalhou a localização exata.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 07/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

Em relação ao Bahrein, a IRGC alegou ter atacado instalações usadas pela Quinta Frota da Marinha dos EUA, incluindo um centro de comando, armazéns e tanques de combustível. Autoridades do Bahrein não se pronunciaram publicamente até o momento sobre possíveis danos ou vítimas.

Já na Jordânia, Teerã disse ter lançado drones contra a Base Aérea de Al-Azraq, onde, segundo a versão iraniana, estariam estacionados caças F-18, além de um hangar de equipamentos e um alojamento militar. Fontes militares ocidentais ponderam que aeronaves F-18 costumam operar a partir de porta-aviões, e não em bases terrestres no Oriente Médio. A IRGC acrescentou ter “destruído” drones MQ-9 norte-americanos na mesma instalação.

Até a publicação desta reportagem, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não havia confirmado nem negado os danos descritos. Analistas de segurança observam que, em conflitos anteriores, Teerã costuma divulgar operações sem fornecer provas independentes de eficácia, enquanto Washington frequentemente retarda respostas oficiais por questões estratégicas.

Os novos confrontos elevam a tensão em um corredor marítimo vital para o fluxo global de petróleo. Cerca de um quinto do petróleo negociado internacionalmente passa pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Interrupções prolongadas poderiam pressionar preços de energia e ampliar riscos geopolíticos na região.

Diplomatas europeus e de países do Conselho de Cooperação do Golfo pediram contenção. Representantes do Kuwait reiteraram compromisso com “a segurança regional” e disseram estar monitorando a situação. O Bahrein, sede da Quinta Frota, reforçou patrulhas navais, enquanto a Jordânia informou ter reforçado sistemas de defesa aérea.

Até agora não há relatos oficiais de vítimas civis. Organizações internacionais de aviação e navegação emitiram alertas a companhias que operam na área, recomendando rotas alternativas e revisão de planos de voo até que o cenário se torne mais claro.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias