Teerã deixou o recado claro: qualquer ataque americano terá resposta devastadora. Soldados dos EUA e aliados regionais serão os alvos, segundo fonte de alto escalão iraniana.
Uma fonte de alto escalão da área de segurança em Teerã afirmou que o Irã aplicará uma “resposta devastadora” caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concretize a ameaça de bombardear a Montanha Pickaxe — localidade conhecida em farsi como Kuh-e Kolang e situada próxima à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz.
“Se Trump concretizar suas ameaças, daremos uma resposta devastadora, e o preço será pago pelos soldados norte-americanos e seus parceiros regionais”, declarou a fonte.
A advertência foi divulgada após entrevista concedida por Trump, em 13 de julho, ao programa “The Hugh Hewitt Show”. Na conversa, o presidente norte-americano afirmou que o alvo iraniano “está na lista” e que os Estados Unidos “provavelmente” o atacarão em breve. Segundo ele, o local poderia abrigar atividades ligadas ao programa nuclear, argumento negado por autoridades de Teerã.
O governo iraniano sustenta que as alegações de Washington carecem de provas. A fonte consultada afirma que nenhuma operação nuclear ocorre na montanha e classifica as suspeitas como “falsas”.
Situações paralelas, porém, mantêm o clima de tensão. No fim de semana, o Irã declarou o Estreito de Ormuz “fechado” a determinadas embarcações, ato que provocou reação imediata de Washington. O estreito é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, respondendo por grande parte do transporte global de petróleo. Sobre esse ponto, o representante iraniano acrescentou que o país “não recuará na defesa dos direitos do povo iraniano”, independentemente de ações militares norte-americanas.
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Analistas militares descrevem a Montanha Pickaxe como uma das estruturas mais protegidas do Irã. O complexo subterrâneo possui dois sistemas de túneis que, segundo estudos independentes, poderiam resistir a mísseis do tipo “bunker buster”, projetados para penetrar alvos fortificados. Imagens de alta resolução de 10 de fevereiro de 2026 mostram reforços recém-aplicados nas entradas dos túneis, além de veículos de construção na área.
Observadores internacionais destacam que, embora Teerã nunca tenha confirmado a função do complexo, a proximidade com Natanz — um dos principais centros do programa nuclear iraniano — mantém o local sob constante vigilância estrangeira. Relatórios obtidos por empresas privadas de satélite registraram movimentação de caminhões em 21 de junho, quando ainda vigorava o memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã em 17 de junho.
A administração norte-americana não comenta dados de inteligência nem planos operacionais, posição reforçada publicamente por porta-vozes do Departamento de Defesa. O governo iraniano adota postura semelhante sobre detalhes militares, embora insista em que cumpre acordos internacionais.
Especialistas em segurança veem duas camadas de risco no atual impasse. A primeira envolve a possibilidade imediata de confronto direto, caso os EUA avancem com o ataque. A segunda recai sobre a navegação no Estreito de Ormuz, que pode ser afetada mesmo sem disparos: incertezas sobre livre trânsito já pressionam mercados de energia e elevam os prêmios de seguro marítimo.
Por ora, ambos os lados mantêm o discurso firme. Trump voltou a afirmar que “toda vez que ouvimos falar sobre atividades nucleares, explodimos”, sugerindo que a decisão final ainda não foi tomada. Do outro lado, Teerã sustenta que reagirá com força proporcional a qualquer incursão, mas assegura que continuará implementando seus compromissos no estreito.
A comunidade internacional acompanha os desdobramentos, ciente de que qualquer escalada pode afetar a segurança regional e as cadeias globais de energia. Diplomatas europeus e asiáticos defendem a retomada de canais de diálogo para evitar um conflito de maiores proporções.
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