Teerã negou ter lançado projéteis contra os Emirados Árabes Unidos e alertou para ações destinadas a ampliar a tensão regional. Os EAU afirmam ter detectado dois mísseis balísticos.
O governo do Irã rejeitou, nesta quarta-feira (19/08), a acusação dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de que teria disparado dois mísseis balísticos em direção ao território emiradense na véspera. A resposta foi divulgada pela emissora estatal iraniana, que reproduziu declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
“Trata-se de uma alegação infundada. Os países vizinhos devem estar atentos a possíveis operações de falsa bandeira que visem semear discórdia na região”
Segundo o Ministério da Defesa dos EAU, as defesas aéreas detectaram os projéteis na terça-feira (18/08). De acordo com o comunicado, apenas um dos mísseis caiu em águas territoriais do país e não houve registro de vítimas, danos materiais ou tentativa de interceptação. O texto acrescentou que as forças armadas emiradenses “estão totalmente preparadas para lidar com quaisquer ameaças e enfrentar firmemente tudo o que vise desestabilizar a segurança do Estado”.
As novas acusações ocorrem em meio a uma escalada de tensões no Golfo Pérsico. Nas últimas semanas, Abu Dhabi responsabilizou Teerã por ataques contra navios da estatal petrolífera ADNOC no Estreito de Ormuz — ponto estratégico que concentra cerca de um quinto do comércio marítimo global de petróleo. O Irã também negou envolvimento nesses incidentes, mas a Guarda Revolucionária reiterou que pode adotar “medidas decisivas” contra embarcações consideradas hostis ou que descumpram diretrizes iranianas.
O contencioso transpôs as fronteiras do Golfo. Na segunda-feira (17/08), o primeiro-ministro do Governo Regional do Curdistão, no Iraque, Masrour Barzani, afirmou que drones iranianos atingiram seu gabinete e a residência do chefe da agência de inteligência curda Parastin. Teerã voltou a negar e também sugeriu a possibilidade de uma ação encenada para incriminá-lo.
Analistas veem as trocas de acusações como parte de um cenário mais amplo marcado por disputas de influência entre Irã, monarquias árabes e potências ocidentais. O Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, concentram rotas vitais de petróleo e mercadorias; seu eventual bloqueio ampliaria o risco de choque nos preços internacionais de energia e desequilibraria cadeias de suprimento.
Por ora, não há confirmação independente sobre o lançamento dos mísseis nem indícios públicos de retaliação militar imediata. Diplomatas regionais acompanham as investigações enquanto governos buscam evitar novo ciclo de escalada que comprometa o comércio marítimo e a segurança energética global.
A expectativa é que ambos os países apresentem novos detalhes técnicos nos próximos dias. Caso se comprovem ou sejam descartadas as alegações, o resultado poderá redefinir o rumo das negociações indiretas que envolvem temas como o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e acordos de segurança com Washington.
Enquanto isso, navios comerciais continuam navegando sob alertas reforçados, e seguradoras marítimas avaliam prêmios de risco mais altos para travessias pelo Golfo. Especialistas lembram que episódios semelhantes, como os ataques a petroleiros em 2019, foram seguidos de escalada diplomática antes que cessassem sem confronto aberto; ainda assim, alertam que um erro de cálculo pode converter tensões verbais em conflito militar direto.
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