Inflação na Venezuela dispara para 544% e esfacela poder de compra

Robson Alves
3 Min Leitura

Junho trouxe novo choque inflacionário à Venezuela: alta de 13,8% no mês, mais que o dobro de maio. Em 2026, os preços já subiram 129,8%, aprofundando a crise que afoga a população.

Os preços ao consumidor na Venezuela voltaram a ganhar velocidade em junho. De acordo com estatísticas divulgadas pelo Banco Central do país nesta segunda-feira (13), o índice oficial de inflação registrou alta de 13,8% no mês, bem acima da variação de 6,3% observada em maio.

Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 544,12%, conforme cálculo realizado a partir dos dados oficiais. Já o aumento de preços nos primeiros seis meses de 2026 somou 129,8%, sinalizando que o ritmo inflacionário permanece muito acima das metas adotadas por economias vizinhas da região.

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“A inflação anual atingiu 544,12%”, aponta a nota técnica acompanhando o boletim do Banco Central, que atribui o avanço, sobretudo, à recente desvalorização da taxa de câmbio.

Segundo a autoridade monetária venezuelana, a forte desvalorização do bolívar frente ao dólar nas últimas semanas exerceu pressão sobre bens importados e, por consequência, sobre toda a cadeia de consumo. O movimento cambial foi impulsionado pela maior demanda interna por divisas em um contexto de oferta restrita de dólares no mercado oficial.

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Analistas consultados por veículos locais observam que, embora o governo tenha recorrido a controles de preços em setores estratégicos, a estratégia é insuficiente para conter pressões de custos que partem da moeda. “Enquanto o desequilíbrio fiscal persistir e as reservas internacionais permanecerem baixas, a inflação continuará encontrando terreno fértil”, avalia um economista que acompanha o país.

Nos últimos anos, a Venezuela experimentou períodos de hiperinflação, marcados por desvalorizações sucessivas e perda do poder de compra da população. Em 2025, a adoção de medidas de disciplina monetária havia contribuído para certa desaceleração, mas o processo foi interrompido no primeiro semestre de 2026, quando a inflação mensal voltou a registrar dois dígitos.

A nova aceleração pressiona os salários reais e encarece itens básicos, como alimentos e medicamentos. Organizações da sociedade civil relatam que o orçamento familiar de uma casa de classe média já não cobre despesas essenciais sem complementação por remessas internacionais, prática que se tornou comum no país.

Agentes de mercado esperam que o Banco Central anuncie, nas próximas semanas, iniciativas adicionais para limitar a oscilação cambial. Entretanto, parte dos especialistas considera que apenas uma combinação de disciplina fiscal, ingresso de capitais externos e normalização da produção de petróleo será capaz de reduzir a inflação de forma sustentada.

Enquanto isso, consumidores e empresas continuam ajustando preços e contratos com base em projeções de inflação de curto prazo, perpetuando um cenário de indexação que dificulta o retorno a níveis moderados de variação de preços.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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