Inflação de 2026 cai no Focus, mas segue acima da meta pelo 2º ano seguido

Robson Alves
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O mercado reduziu a previsão do IPCA de 2026 para 5,16%, mas o alívio é parcial. Para 2027, a estimativa subiu pela oitava semana consecutiva, chegando a 4,20% — ambas acima da meta oficial de 3%.

O Relatório Focus, divulgado HOJE pelo Banco Central, mostrou que analistas do mercado financeiro voltaram a diminuir a expectativa para a inflação de 2026. A projeção para a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,30% para 5,16%, na segunda redução consecutiva. Apesar do alívio no curto prazo, as estimativas para os anos seguintes permaneceram acima da meta de 3,00%, que admite faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Para 2027, o documento apontou aumento pela oitava semana seguida: a taxa projetada avançou de 4,18% para 4,20%. Já para 2028, os economistas mantiveram a previsão em 3,70%, indicando expectativa de convergência mais lenta em relação ao objetivo fixado pelo Conselho Monetário Nacional.

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O relatório também trouxe números sobre a atividade econômica. A mediana das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 permaneceu em crescimento de 1,99%. Para 2027, porém, houve leve ajuste negativo, de 1,69% para 1,65%, sinalizando cautela com a dinâmica econômica no médio prazo.

No que diz respeito à política monetária, os analistas consultados mantiveram a previsão de que a taxa Selic fechará 2026 em 14,00% e 2027 em 12,00%. Considerando que o juro básico está em 14,25% ao ano, o mercado continua projetando corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).

“O alívio na inflação é passageiro e não garante, por si só, espaço para reduções mais agressivas dos juros”, avaliou um economista ouvido pelo relatório.

A pesquisa Focus reúne projeções de cerca de cem instituições financeiras e, tradicionalmente, serve de referência para decisões de investidores e para a condução da política econômica. Entre os fatores monitorados pelos analistas estão a trajetória dos preços administrados, a evolução do câmbio, o comportamento das commodities e o ritmo de recuperação do mercado de trabalho.

Segundo participantes do mercado, parte da revisão para baixo no IPCA de 2026 refletiu a desaceleração recente dos preços de alimentos e combustíveis. No entanto, pressões vindas do setor de serviços e incertezas sobre a persistência de choques externos levaram ao ajuste para cima de 2027, reforçando o cenário de inflação acima do centro da meta no médio prazo.

Para os próximos meses, a expectativa é de que novas revisões dependam do nível de atividade, da evolução fiscal e, sobretudo, do comportamento dos núcleos de inflação, que ainda mostram resistência. Especialistas destacam que a sinalização do Banco Central em relação ao ritmo de cortes na Selic será fundamental para ancorar as expectativas de preços.

O próximo Relatório Focus será divulgado na segunda-feira da semana que vem, trazendo as atualizações mais recentes das projeções macroeconômicas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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