A ElevenLabs usou inteligência artificial para reproduzir a voz do ator britânico de 93 anos em quase 13 horas de narração. O conteúdo já está disponível gratuitamente para usuários ao redor do mundo.
A empresa de tecnologia ElevenLabs anunciou nesta terça-feira, 23/06, que utilizará sua ferramenta de inteligência artificial para recriar a voz do ator britânico Michael Caine, 93 anos, no audiolivro de “A Odisseia”. De acordo com a companhia, o sistema combinará gravações reais do artista a ajustes gerados por computador, resultando na narração integral de quase 13 horas da obra inspirada no clássico de Homero.
O projeto foi disponibilizado na manhã do dia 23 no portal ElevenReader e permanece acessível sem custo para usuários em várias regiões do mundo. Além da voz sintetizada de Caine, a produção emprega 20 personagens provenientes da biblioteca de vozes da empresa, acompanhados por efeitos sonoros e trilha original desenvolvidos pelo gerador musical interno da plataforma.
A iniciativa tem, segundo seus idealizadores, o propósito de aproximar novos públicos da narrativa épica antes da estreia do próximo filme de Christopher Nolan sobre o mesmo tema. A ligação entre Caine e o cineasta inglês é antiga: o ator participou de diversas produções dirigidas por Nolan ao longo de mais de duas décadas.
“Nossa versão é mais uma releitura que consideramos muito forte — faz jus à história original. O elenco conta com 20 personagens, todos da nossa biblioteca de vozes, e Michael Caine é uma lenda. Ele é um tesouro nacional, e sua voz significa muito para muitas pessoas”, afirmou Dustin Blank, chefe de parcerias da ElevenLabs, em comunicado.
Em 2025, Caine já havia licenciado oficialmente sua voz e imagem para o “Iconic Marketplace” da mesma empresa. O acordo permite a utilização comercial de diferentes perfis vocais do ator, mantendo, segundo a ElevenLabs, remuneração e consentimento dos artistas envolvidos. No caso de “A Odisseia”, o nonagenário aprovou pessoalmente todos os materiais de divulgação.
A empresa destaca que o processo de clonagem vocal é realizado com a autorização prévia dos titulares de direitos, respeitando contratos individuais. Os responsáveis reforçam que o uso de vozes sintéticas não substitui a participação humana, mas amplia possibilidades de distribuição e acessibilidade, sobretudo para pessoas com deficiência visual ou dificuldades de leitura.
Especialistas consultados pela reportagem observam que iniciativas semelhantes tendem a se multiplicar, à medida que ferramentas generativas ganham precisão. Eles ponderam, no entanto, que desafios éticos permanecem em discussão, como a necessidade de proteger identidades vocais e evitar usos não autorizados.
Por ora, a versão gratuita de “A Odisseia” integra o catálogo experimental da ElevenLabs. A companhia informa que análises de audiência e feedbacks dos ouvintes servirão de base para futuras produções narradas por vozes licenciadas de personalidades públicas.
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