IA elimina 16 mil empregos por dia nos EUA e ameaça mercado global

Rafael Ramos
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Goldman Sachs projeta quase 500 mil demissões mensais ligadas à inteligência artificial em 2026. O setor de tecnologia já sente o impacto, e a onda pode chegar ao Brasil.

Relatório do Goldman Sachs divulgado em abril de 2026 estima que, somente neste ano, a inteligência artificial (IA) esteja associada à eliminação de cerca de 16 mil postos de trabalho por dia nos Estados Unidos. A projeção representa quase meio milhão de cortes mensais e indica aceleração expressiva em relação a 2025.

No primeiro trimestre de 2026, o setor de tecnologia registrou 78.557 demissões. Desse total, 47,9% foram atribuídas diretamente à adoção de ferramentas de IA, segundo o banco de dados Layoffs.fyi. A tendência não se limita às empresas de software: levantamento da Duke University com diretores financeiros projeta 502 mil cortes relacionados à IA até o fim de 2026, número nove vezes maior que o observado no ano anterior.

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A retração também aparece no mercado freelance. Dados combinados de plataformas como Upwork e Indeed mostram redução de 30% em negócios de redação, 21% em desenvolvimento de software e 35% em entrada de dados. Enquanto isso, a fatia orçamentária das companhias destinada a freelancers caiu de 0,66% para 0,14%, ao passo que os investimentos diretos em IA avançaram de 0% para 2,85% no mesmo período.

“No próximo ano, a maioria das empresas vai chegar à mesma conclusão”, declarou Jack Dorsey, fundador da Block, ao justificar a redução de 40% do quadro funcional de suas operações, em janeiro de 2025.

Especialistas alertam, porém, para um possível “AI washing” — uso do termo IA como justificativa genérica para cortes. Pesquisa recente aponta que 59% dos gerentes de contratação admitem citar a tecnologia como motivo principal, ainda que apenas 9% afirmem ter efetivamente substituído funções humanas por sistemas automatizados. O próprio Sam Altman, executivo-chefe da OpenAI, reconheceu a prática.

Mesmo quando o impacto direto da automação não é comprovado, o efeito líquido para os trabalhadores permanece o mesmo: milhares perdem vagas que podem não voltar. O Gartner prevê que metade das empresas que reduziram equipes de atendimento recontratará até 2027, mas sem garantia de restabelecer condições salariais ou perfis profissionais anteriores.

“Se seguirmos nesse caminho de destruir empregos e criar mais desigualdade, a democracia americana não vai sobreviver”, alertou Daron Acemoglu, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2024.

O debate sobre respostas de política pública avança. Pesquisa nacional indica que 66% dos americanos apoiam alguma forma de renda básica universal, proposta defendida pelo ex-candidato presidencial Andrew Yang, que classifica o momento atual como “apocalipse dos empregos de colarinho branco”.

Até o encerramento de 2026, analistas acompanham os números para verificar se as previsões mais severas se concretizarão ou se parte das demissões será revertida com requalificação profissional e mudanças nos modelos de negócio.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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