José Dirceu usou “Fábrica” em vídeo eleitoral para deputado federal em São Paulo. A autorização foi dada por Giuliano Manfredini, filho e herdeiro de Renato Russo.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, candidato do PT a deputado federal por São Paulo, divulgou em 16/08/2026 um vídeo de propaganda eleitoral acompanhado da música “Fábrica”, da Legião Urbana. A utilização foi autorizada por Giuliano Manfredini, herdeiro dos direitos autorais de Renato Russo, morto em 1996.
Na publicação, Dirceu agradeceu a cessão da faixa e relacionou o conteúdo da canção às propostas que defende para os trabalhadores, citando a Proposta de Emenda à Constituição que pretende extinguir a escala 6×1 em jornadas de trabalho. O trecho escolhido para trilha sonora diz:
“Nosso dia vai chegar / Teremos nossa vez / Não é pedir demais / Quero justiça”.
Manfredini, que controla o espólio musical do pai, não se manifestou publicamente sobre os motivos da decisão. A autorização, porém, reacendeu o debate sobre o uso de obras artísticas em peças político-partidárias.
Poucas horas depois da veiculação do material, o baterista Marcelo Bonfá, ex-integrante do Legião Urbana, enviou nota à imprensa lamentando a associação da banda a candidaturas. Segundo ele, Renato Russo teria preferido manter as composições afastadas de disputas eleitorais porque “o repertório pertence ao povo e à nação brasileira”.
O ex-guitarrista Dado Villa-Lobos ainda não comentou o episódio. Até o fechamento desta edição, não havia registro de posicionamento público do músico sobre o uso de “Fábrica” na campanha petista.
Do ponto de vista jurídico, a Lei de Direitos Autorais (9.610/1998) determina que a execução pública de obras musicais em campanhas necessita do consentimento de quem detém os direitos patrimoniais. Sem essa permissão, o candidato pode responder a ações civis e sofrer sanções eleitorais.
A polêmica surge a menos de dois meses das eleições de 2026, em momento de intensa disputa pela Câmara dos Deputados. Dirceu, que ocupou o cargo de ministro da Casa Civil entre 2003 e 2005, tenta retornar à vida pública após anos afastado.
Especialistas em marketing político observam que canções de forte apelo popular costumam ser empregadas para reforçar mensagens de campanha e provocar identificação emocional com o eleitorado. Ao mesmo tempo, artistas frequentemente contestam o uso de suas obras quando discordam da linha ideológica dos candidatos.
Com o aval de Manfredini, a equipe de Dirceu mantém a música na propaganda e sinaliza que pretende intensificar a estratégia nas próximas inserções de rádio e televisão. Resta saber se novos questionamentos judiciais ou críticas de outros ex-integrantes da banda alterarão os planos da campanha.
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