O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10), em São Paulo, que o cenário econômico atual permite ao país discutir uma “nova arquitetura” para as despesas sociais, com a hipótese de fusão de benefícios. O tema, segundo ele, ainda não é um projeto de governo nem foi submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas já está em estudo por técnicos.
“Olhando para o orçamento, talvez o Brasil esteja maduro para uma solução mais criativa”, declarou Haddad durante o CEO Conference Brasil 2026, organizado pelo BTG Pactual. Ele comparou a proposta à criação do Bolsa Família em 2003, quando diversos programas foram reunidos sob um único guarda-chuva. “Será que não seria o caso de fazer o que o presidente Lula fez em 2003, quando o Bolsa Família nasceu como o grande guarda-chuva?”, questionou.
O ministro ressaltou que a intenção não é reduzir gastos, mas modernizar, tornar mais eficazes e garantir a sustentabilidade dos programas sociais. “Esse é o tipo de discussão que está sendo feita entre técnicos, inclusive do Estado brasileiro, que enxergam na conjuntura econômica uma oportunidade de repensar essa questão de forma mais moderna”, afirmou.
Banco Central e caso Master
Haddad enfatizou a necessidade de “cuidar do Banco Central”, destacando que a instituição “pode efetivamente contribuir muito, ou prejudicar muito, os governos e o país”. Ele disse acompanhar de perto as decisões da autoridade monetária e voltou a criticar os juros reais elevados, argumentando que, com inflação em queda, não haveria razão para manutenção de taxas tão altas.
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O ministro elogiou a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diante das denúncias envolvendo o Banco Master. Segundo Haddad, o crescimento da instituição, que classificou como “exponencial” até 2024, foi interrompido após a posse de Galípolo, quando se identificou uma fraude estimada em R$ 12 bilhões. “Diante disso, não havia muito o que fazer, à luz não apenas do patrimônio do próprio Master como do banco que comprou uma carteira fraudada”, explicou.
Haddad afirmou esperar que as investigações dos órgãos competentes apontem responsabilidades pela gestão fraudulenta. “Como é que esse banco atingiu essa dimensão? Alguém vai responder como é que essa coisa chegou nesse patamar”, disse.
Reforma tributária
O ministro voltou a defender a reforma tributária, aprovada no ano passado, afirmando que o Brasil passará a figurar “entre os melhores sistemas tributários do mundo”. Ele lembrou que o Banco Mundial classificava o país entre as piores posições, mas que a digitalização e a transparência previstas nas mudanças devem reverter esse quadro. “A reforma tributária vai entrar para a história, e acredito que, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, isso esteja claro para todos nós”, declarou.
Com informações de Agência Brasil
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