H5N1 chega à Oceania e fecha ciclo global da gripe aviária

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Nova Zelândia detectou o vírus em ave marinha e completa presença do H5N1 em todos os continentes. Autoridades alertam para risco crescente de disseminação mundial.

A Nova Zelândia registrou o primeiro caso de gripe aviária H5N1 no país, após um mandrião-pardo (brown skua) encontrado em uma praia próxima a Wellington testar positivo para o vírus. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 15 de julho, pelo ministro da Biosegurança, Andrew Hoggard, que destacou a rápida identificação do patógeno pelo laboratório de referência nacional.

Com a confirmação, a Oceania completa o ciclo de detecções do subtipo H5N1 em todos os continentes. O vírus, altamente patogênico, já provocou a morte de milhões de aves silvestres e domésticas desde que começou a se espalhar com intensidade em 2021. Também foram relatados casos esporádicos em mamíferos marinhos, fazendas leiteiras e alguns trabalhadores rurais, o que mantém autoridades sanitárias em alerta.

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“Não há evidências de mortalidade em massa na fauna silvestre ou de transmissão entre aves selvagens na Nova Zelândia. Também não houve detecção em aves de criação”, afirmou Hoggard.

Segundo o ministro, o país vinha se preparando havia meses para uma possível entrada do vírus. Medidas de biossegurança foram desenvolvidas em conjunto com a indústria avícola, incluindo protocolos de triagem em granjas comerciais, controle de deslocamento de aves e treinamento de equipes de campo para coleta de amostras.

O governo também iniciou um programa de vacinação de emergência para 300 aves reprodutoras que pertencem às cinco espécies mais ameaçadas do arquipélago. A iniciativa visa proteger populações já fragilizadas por perda de habitat e predação por espécies invasoras. Técnicos do Departamento de Conservação acompanham a aplicação das doses e farão monitoramento sorológico periódico.

A experiência australiana serve como referência. No mês passado, 14 detecções — confirmadas ou prováveis — de H5N1 foram registradas no território vizinho, levando à criação de zonas de controle e ao abate preventivo em criadouros. O vírus chegou à Ilha Heard, no subantártico, no final de 2025, reforçando a necessidade de vigilância em toda a região.

No mercado interno, associações de produtores afirmam que não há impacto imediato na oferta de carne de frango ou ovos. Ainda assim, exportadores acompanham de perto as exigências sanitárias de compradores internacionais, que podem impor restrições caso ocorram surtos em granjas comerciais.

Especialistas ressaltam que o risco de transmissão direta ao público permanece baixo, mas recomendam evitar contato com aves doentes ou mortas e comunicar imediatamente as autoridades competentes. O Ministério da Saúde mantém linha direta para relatos suspeitos e disponibiliza orientações sobre higiene e segurança alimentar.

Para as próximas semanas, equipes de vigilância contarão com drones e estações de amostragem em rotas migratórias. O objetivo é identificar rapidamente qualquer novo foco e impedir que o vírus se estabeleça em populações domésticas, cenário que poderia gerar perdas econômicas significativas e ampliar o risco de mutações com potencial pandêmico.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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