Guterres quer clima como prioridade econômica dos governos

Rafael Ramos
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O chefe da ONU cobrou ministros da Fazenda e bancos centrais a colocarem o risco climático no centro das políticas econômicas. Para Guterres, secas e enchentes já ameaçam economias inteiras.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira, 24/06, que a adaptação às mudanças climáticas precisa ocupar lugar central nas agendas econômicas dos governos. Em intervenção durante a Semana de Ação Climática de Londres, o diplomata observou que a frequência de secas, enchentes e outros eventos extremos deixou de ser circunstancial e passou a representar risco sistêmico para populações e economias.

“Ministros das Finanças, bancos centrais, ministérios de planejamento e autoridades de investimento público precisam tratar o risco climático como uma política econômica fundamental, a fim de mobilizar mais recursos internos”, declarou.

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Segundo Guterres, a resposta financeira permanece insuficiente. Ele classificou a adaptação como “subvalorizada e cronicamente subfinanciada”, advertindo que o déficit tende a crescer caso os países continuem a tratar o tema como questão secundária. Até 2035, as nações em desenvolvimento devem demandar entre US$ 310 bilhões e US$ 365 bilhões por ano, mas em 2023 receberam aproximadamente US$ 26 bilhões, conforme cálculo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Para encurtar essa distância, o secretário-geral propôs uma combinação de mecanismos. Entre eles, citou tributação sobre indústrias poluidoras, arranjos de financiamento misto que envolvam capital público e privado, além de garantias voltadas a estimular investidores.

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“A cobrança de impostos sobre lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis deve direcionar recursos diretamente para adaptação e para compensar perdas e danos climáticos”, reforçou.

Guterres também mencionou a reforma dos bancos multilaterais de desenvolvimento. Na avaliação dele, os acionistas dessas instituições precisam autorizar aumento de capital e ampliar a flexibilidade dos empréstimos destinados a projetos de resiliência, sobretudo em países mais vulneráveis. O objetivo é criar um ambiente no qual investimentos climáticos não sejam vistos como ônus, mas como garantia de estabilidade macroeconômica de longo prazo.

Especialistas presentes ao encontro destacaram que medir corretamente o risco climático é passo decisivo para que agências de classificação de risco, reguladores e gestores de fundos ajustem parâmetros de análise. Com isso, projetos de infraestrutura sustentável teriam acesso a taxas de juros mais adequadas, acelerando soluções de proteção de comunidades expostas.

A fala de Guterres ecoa posição cada vez mais consensual entre organismos internacionais: preservar a saúde fiscal dos países dependerá da capacidade de antecipar impactos do clima e de canalizar recursos para tecnologias de mitigação e adaptação. A expectativa, agora, recai sobre como governos e setores produtivos irão converter o alerta em ações concretas.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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