Gigante do ensino superior muda de dono: FMU é vendida por R$ 410 mi

Robson Alves
3 Min Leitura

A Ânima Educação comprou a FMU, que atende 51 mil alunos em SP. O negócio de R$ 410 milhões ainda depende do aval do Cade para ser concluído.

A Ânima Educação informou que assinou contrato para adquirir as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões. O anúncio foi feito em 14/07/2026 e o negócio aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A negociação envolve a subsidiária Rede Educacional do Brasil, pertencente à Ânima, e o fundo Camp Nou, atual controlador da FMU.

Fundada há mais de meio século, a FMU atende cerca de 51 mil estudantes, opera seis campi na cidade de São Paulo, mantém mais de 200 polos de ensino a distância e oferece portfólio diversificado de cursos presenciais e virtuais. Segundo dados divulgados pela companhia compradora, nos 12 meses encerrados em março de 2026 a instituição registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões e Ebitda de R$ 52,9 milhões.

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O acordo prevê pagamento inicial de R$ 240 milhões no momento de fechamento da operação, condicionado ao aval regulatório. O valor remanescente, de R$ 170 milhões, será quitado até 31/12/2029, com correção pelo CDI. O contrato também estipula mecanismo de remuneração variável, que poderá aumentar a parcela a ser desembolsada conforme o desempenho futuro da FMU.

Para a Ânima, a transação reforça a estratégia de ampliar a presença no segmento de ensino superior paulista, considerada a maior praça educacional do país, e diversificar a base de cursos presenciais e digitais. A empresa passou por ciclo de aquisições nos últimos anos, incorporando instituições em vários estados e buscando sinergias operacionais.

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“A aquisição fortalece nossa atuação no ensino superior, amplia o portfólio institucional e cria novas oportunidades de crescimento presencial e online”, destacou a Ânima em nota ao mercado.

Especialistas do setor avaliam que a compra pode alterar a dinâmica competitiva na capital, concentrando parcela ainda maior de matrículas em grandes grupos privados. A depender do parecer do Cade, a operação será submetida a possíveis condicionantes voltados à preservação da concorrência e da qualidade de serviços educacionais.

A FMU se encontra em processo de recuperação judicial, o que, segundo analistas, tende a acelerar a conclusão do negócio por representar alternativa de reestruturação financeira. Mesmo assim, o cronograma definitivo depende do sinal verde regulatório e da implementação dos termos financeiros combinados.

Apesar de a Ânima ter assegurado recursos para o pagamento inicial, a companhia mantém política de disciplina de capital e afirmou que seguirá monitorando indicadores de alavancagem. O mercado acompanhará o desdobramento das negociações até o Cade emitir decisão, etapa decisiva para validar a integração de ativos e consolidar a nova configuração do setor educacional privado em São Paulo.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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