Gigante alemã entra na disputa pelo 1º leilão de baterias do Brasil

Rafael Ramos
4 Min Leitura

A Siemens Energy confirmou participação no leilão federal de baterias marcado para dezembro. A empresa busca até 4 parceiros internacionais e aposta em tecnologia própria de gestão para competir.

A Siemens Energy confirmou que trabalhará para oferecer soluções de armazenamento de energia no 1º leilão de baterias do Brasil, marcado pelo governo federal para os dias 2 e 4 de dezembro. A companhia, que fabrica equipamentos para o setor elétrico, avalia alianças com de três a quatro fornecedores internacionais de células e módulos, enquanto aposta na produção interna de seu Sistema de Gerenciamento de Bateria (BMS, na sigla em inglês). O BMS é responsável por monitorar, proteger e otimizar conjuntos de baterias recarregáveis, assegurando eficiência e segurança cibernética.

As diretrizes do certame foram publicadas em 2 de junho pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O edital divide a disputa em duas fases. Na primeira, será exigido conteúdo nacional mínimo nos equipamentos, de acordo com critérios estabelecidos pelo BNDES. Na segunda, a concorrência será aberta a soluções importadas. A estratégia da Siemens Energy é apoiar consórcios interessados em participar já da etapa inicial, oferecendo o BMS fabricado no país como diferencial competitivo.

Publicidade

“A gente tem muito interesse em prover a tecnologia que vai ser necessária para atender a demanda que esse leilão está trazendo para o sistema de transmissão. É um leilão que foi muito debatido, muito discutido, e a gente vê uma proposta que foi apresentada indo na direção correta”, declarou o vice-presidente de Grid Solutions para a América Latina.

Segundo o executivo, o BMS da empresa é desenvolvido integralmente no Brasil, o que atende aos requisitos de conteúdo local e reforça a segurança contra eventuais tentativas de intrusão digital. A multinacional avalia parcerias com fornecedores chineses, coreanos e europeus, todos entre os maiores fabricantes globais de baterias. O objetivo é combinar tecnologia própria de gestão com células de alta capacidade fornecidas pelos parceiros.

“Nós realizamos dentro de casa a parte de gerenciamento de sistemas, que garante a segurança cibernética. Esse é um ponto crítico no tema de baterias, e nós temos essa solução 100% nacional para o leilão de dezembro”, acrescentou.

Embora os nomes das possíveis parceiras não tenham sido revelados, a companhia considera participar de mais de um projeto. Cada proposta deverá atender, no mínimo, 30 megawatts (MW) de potência, operar continuamente por pelo menos quatro horas e manter eficiência total mínima de 85%. O tempo máximo de recarga completa não poderá exceder seis horas, e todos os empreendimentos deverão cumprir requisitos de conexão definidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“Tudo depende da atratividade de cada projeto. Sabemos que as plantas previstas no LRCap começam em 30 MW; dependendo do porte, será possível combinar fornecedores diferentes. Estamos confiantes de que as parcerias serão suficientes para termos êxito no leilão”, concluiu o executivo.

O mercado brasileiro de armazenamento se prepara para o leilão como passo inicial na integração de baterias à matriz elétrica, visando maior estabilidade da rede e expansão de fontes renováveis. A participação de fabricantes com produção local tende a impulsionar investimentos em tecnologia e a criar empregos qualificados no país.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias