Geração Z americana prioriza propósito ao lucro, aponta Harvard

Rafael Ramos
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Pesquisa revela que 80% dos jovens americanos buscam trabalho com impacto social. O estudo liga propósito profissional à saúde mental e questiona o modelo atual de mercado.

Um levantamento realizado pela Gallup, em parceria com a Walton Family Foundation e o Making Caring Common Project da Universidade Harvard, revela que quase 80% dos jovens da Geração Z nos Estados Unidos demonstram interesse em ocupar vagas cujo objetivo principal seja ajudar outras pessoas. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (26/06/2026), ouviu 2.436 participantes com idades entre 13 e 28 anos, em dezembro de 2025, e buscou entender a relação entre propósito profissional e bem-estar mental.

Os resultados indicam uma forte correlação entre sensação de significado de vida e disposição para promover impactos positivos. Entre os entrevistados que desejam causar impacto, 89% afirmam sentir que suas vidas têm propósito. O dado é relevante em um contexto em que solidão e problemas de saúde mental estão no centro das preocupações dessa geração.

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“Em um momento em que a solidão e os problemas de saúde mental são uma questão para a Geração Z, esses dados mostram que eles querem ajudar as pessoas e estão lutando para encontrar significado e propósito na vida”, afirma Katherine Senseman, consultora de pesquisa da Gallup.

Embora o desejo de atuar em áreas de cuidado seja elevado, o estudo destaca obstáculos importantes. Mais da metade dos entrevistados aponta o uso improdutivo da tecnologia como barreira para uma vida significativa. Outros 48% mencionam questões de saúde mental, enquanto 34% citam a falta de relacionamentos pessoais como fator que dificulta a busca de propósito.

Questões financeiras também pesam na decisão profissional. Cerca de 50% dos jovens declaram preocupação com remuneração insuficiente e alto desgaste emocional em postos de trabalho voltados ao cuidado. Metade dos respondentes afirma preferir uma carreira que pague o suficiente e apresente baixo nível de estresse, o que cria conflito com ocupações tradicionalmente mal remuneradas no setor social.

“Eles estão encontrando significado e propósito em ajudar outras pessoas”, observa Richard Weissbourd, diretor do Making Caring Common Project e professor sênior da Harvard Graduate School of Education.

A pressão por conquistas adiciona outra camada de complexidade. Mais de 50% dizem sentir estresse para “alcançar algo na vida”, especialmente no grupo de 19 a 21 anos. Segundo pesquisadores, quando as metas pessoais estão conectadas a objetivos altruístas, há melhora perceptível na saúde mental.

O estudo também analisou a disposição de escolher entre salário e propósito. Quase metade optaria por um emprego mais bem remunerado em detrimento de outro mais significativo; contudo, se já recebessem salário confortável, a maioria preferiria permanecer em funções de maior relevância social. Para especialistas, o cenário representa oportunidade para recrutadores e educadores, que podem enfatizar programas de voluntariado, benefícios compatíveis e narrativas de responsabilidade social ao atrair talentos.

“Quando apresentada a uma oportunidade de fazer algo com propósito ou significado, em geral, essa geração diz: ‘Eu quero fazer isso’”, resume Anthony Burrow, professor associado de psicologia na Cornell University.

A Gallup conclui que ampliar a oferta de empregos que combinem propósito, remuneração adequada e apoio ao bem-estar é caminho promissor para engajar a Geração Z e contribuir para a saúde mental do grupo.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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