Pesquisa americana expõe descaso de jovens com a própria saúde. Menos da metade fez consulta de rotina no último ano, enquanto idosos lideram o cuidado preventivo.
Um levantamento nacional conduzido pelo Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio identificou que mais de 25% dos adultos da Geração Z — faixa etária de 18 a 29 anos — ainda não contam com um profissional de atenção primária. O estudo, que consultou 1.006 pessoas de diferentes idades, teve seus resultados divulgados em 29 de junho.
A ausência de acompanhamento periódico se reflete diretamente na baixa adesão a consultas de rotina: apenas 47% dos jovens entrevistados relataram ter realizado um exame de bem-estar no último ano. Entre os participantes com 65 anos ou mais, a realidade é oposta: 97% afirmaram contar com médico de referência e 88% mantêm consultas anuais.
Para especialistas, o distanciamento precoce do sistema de atenção primária pode custar caro no futuro. Nos últimos anos, cresceram os diagnósticos de câncer colorretal em pacientes com menos de 50 anos, fenômeno atribuído em parte à falta de rastreamento preventivo.
“Uma consulta anual não se trata apenas da saúde de hoje — ela ajuda a identificar riscos futuros, mantém vacinas e exames em dia e estabelece um profissional que conhece o histórico do paciente”, observou a médica Leana Wen em comentário sobre o cenário.
O estudo mostrou ainda que 36% dos jovens preferem recorrer diretamente a serviços de pronto-atendimento em situações não emergenciais. Para o consultor sênior de inovação Russell Phillips, essa escolha representa uma oportunidade perdida de “construir uma relação de confiança capaz de evitar internações desnecessárias”.
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Diante da falta de vínculo com médicos fixos, muitos jovens relatam experiências frustrantes até receberem diagnóstico adequado. Olivia Hall, 27 anos, conta ter passado por sete profissionais até descobrir a síndrome de taquicardia ortostática postural (POTS), condição inicialmente atribuída a estresse.
“Um médico que realmente escuta pode poupar anos de incertezas”, relatou Hall, que vive em Las Vegas.
O professor Zachary Bittinger, também da Universidade Estadual de Ohio, lembra que diretrizes de rastreamento foram revistas justamente para contemplar riscos mais precoces. “A idade mínima recomendada para colonoscopia caiu de 50 para 45 anos, mas pode ser menor se o histórico familiar exigir”, advertiu.
A pesquisa reforça a tendência observada em outras análises de que jovens adultos tendem a subestimar riscos de saúde por não apresentarem, em média, doenças cardiovasculares ou neurodegenerativas tão frequentes quanto os mais velhos. Ainda assim, condições crônicas como obesidade, hipertensão e diabetes vêm surgindo em estágios cada vez mais precoces.
Especialistas aconselham persistência na busca por um profissional adequado. Caso a afinidade não se estabeleça nas primeiras consultas, a recomendação é continuar procurando, apoiando-se em indicações de familiares e amigos. A manutenção de um histórico médico completo é vista como peça-chave para diagnósticos rápidos, encaminhamentos corretos e menores custos de longo prazo.
Além da atuação individual, o estudo aponta desafios estruturais: regiões rurais e centros urbanos superlotados enfrentam déficit de profissionais e agendas restritas, o que dificulta ainda mais o acesso dos mais jovens a consultas preventivas. Para pesquisadores, políticas públicas de incentivo à atenção primária e programas de extensão universitária podem ajudar a reverter esse quadro.
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