Massa de ar polar derruba temperaturas e provoca geadas nas áreas serranas do Sul. Campos do Jordão chegou a 2,1°C. Virada climática prevista a partir de quinta-feira.
A massa de ar polar que atua sobre o Centro-Sul do Brasil continua, nesta terça-feira (14), a manter as temperaturas baixas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, favorecendo a ocorrência de geadas nas áreas mais elevadas da Região Sul.
Em São Paulo, o município de Campos do Jordão registrou 2,1°C, repetindo a menor temperatura do estado neste ano. Na capital paulista, a estação do Mirante de Santana, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), marcou mínima de 11,4°C.
A tendência, porém, é de mudança no padrão atmosférico ainda nesta semana. A partir de quinta-feira (16), uma frente fria deve avançar pela Argentina e pelo Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, devolvendo a chuva ao estado e elevando o potencial para temporais.
“Essa massa de ar polar está dentro das condições normais do inverno. Outros episódios neste ano foram mais intensos, com mínimas próximas de 7°C negativos”, explicou o meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet.
Segundo o órgão, o impacto mais expressivo do sistema ocorre nas áreas de maior altitude do Sul, com formação de geadas nos planaltos Sul e Norte de Santa Catarina, na Serra Gaúcha, no sul do Paraná e em parte da região de Curitiba. No interior da Campanha Gaúcha, cidades como Quaraí podem registrar marcas próximas de 0°C.
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Com o enfraquecimento gradual da massa de ar frio, a área de alta pressão deverá deslocar-se para o oceano. Esse movimento abre caminho para a organização de uma baixa pressão entre o Paraguai, o norte da Argentina e o Rio Grande do Sul, condição que traz de volta umidade e temperaturas mais altas.
O sistema deve dar origem a uma nova frente fria. A previsão indica chuva forte, descargas elétricas, rajadas de vento e eventual queda de granizo no sul gaúcho a partir de sábado (18). Os acumulados podem atingir 50 milímetros entre domingo (19) e segunda-feira (20).
“O que chama atenção neste episódio é a abrangência do ar frio, que alcançou também parte do Sudeste, do Centro-Oeste e até do sul da Bahia”, avaliou o meteorologista Mateus Nunes, da Tempo OK.
Meteorologistas ressaltam que o evento não está diretamente ligado ao El Niño em desenvolvimento no Pacífico. De acordo com Maria Clara Sassaki, também da Tempo OK, infiltrações de ar polar são comuns no inverno e tendem a ocorrer independentemente desse fenômeno.
“Assim que a massa de ar frio perder força, o ar seco e quente deve predominar e as temperaturas poderão ficar acima da média na maior parte do país”, projetou Sassaki.
Para a segunda quinzena de julho, a expectativa é de tempo mais quente na maior parte do território nacional, enquanto as chuvas deverão permanecer concentradas sobre o Sul.
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