Mais de 800 hectares da floresta de Fontainebleau foram destruídos pelo fogo. Autoridades francesas suspeitam de ação deliberada e abriram investigação criminal.
Bombeiros franceses continuam a combater, nesta segunda-feira (13), um incêndio florestal que já consumiu mais de 800 hectares da histórica floresta de Fontainebleau, a cerca de 70 quilômetros ao sul de Paris. Aeronaves de combate a incêndios recolhem água do rio Sena para reforçar o trabalho das equipes terrestres que atuam em solo irregular e tomado pela fumaça.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, confirmou que uma investigação foi aberta para apurar se o fogo foi iniciado de forma criminosa.
“Estamos analisando todos os indícios, inclusive a possibilidade de ação deliberada”, declarou o ministro, acrescentando que focos menores também surgiram em outras regiões do país.
O incêndio ocorre em meio a uma intensa onda de calor que atinge o continente. De acordo com o Serviço Copernicus de Alterações Climáticas, a Europa é hoje o continente que mais rapidamente se aquece, com temperaturas subindo em mais do que o dobro da média global. Na França, o dia 24 de junho registrou a maior temperatura já medida no país.
Os efeitos já são sentidos na saúde pública. Segundo a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, houve um aumento de 29% nas mortes na última semana de junho em comparação com a semana anterior, totalizando mais de 2.000 óbitos atribuídos ao calor.
“Observamos um aumento claro entre pessoas com mais de 45 anos”, disse Rist.
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Em outros pontos da Europa, a situação também preocupa. Na Espanha, um incêndio que começou perto de Los Gallardos, na província de Almería, deixou 13 mortos e mobilizou mais de 460 profissionais de emergência, tornando-se o episódio mais letal no país desde 2005. O serviço meteorológico espanhol registrou temperaturas até 7,1 °C acima da média no mês passado.
No Reino Unido, o serviço nacional de meteorologia estima mais de 2.700 mortes relacionadas ao calor entre maio e junho. Já na Alemanha, pelo menos 99 pessoas morreram afogadas em junho, número mais alto desde 2003, em incidentes associados ao uso recreativo de rios e lagos para fugir das altas temperaturas.
O calor afeta ainda a infraestrutura energética. A concessionária francesa EDF informou que reduzirá, nesta semana, a geração na usina nuclear de Nogent, às margens do Sena, pela segunda vez neste verão. Outro reator, no sudoeste, suspendeu totalmente a produção após a água de refrigeração atingir 28 °C.
A agricultura também sente os impactos. A associação europeia de comércio de grãos Coceral reduziu de 57,2 para 52,7 milhões de toneladas a previsão de produção de milho na União Europeia e Reino Unido, estimando para a França a menor colheita em duas décadas, abaixo de 10 milhões de toneladas.
O clima mais quente facilita ainda a expansão de doenças transmitidas por mosquitos. Pesquisa italiana identificou aumento de 56% no risco de epidemias de dengue entre 2013 e 2022 em comparação com a década de 1950.
Autoridades francesas mantêm alerta máximo para incêndios florestais, ressaltando que vegetação densa após um inverno chuvoso tornou-se combustível ideal diante das temperaturas que permanecem na casa dos 30 °C. A orientação é que moradores e turistas evitem áreas de mata, sigam instruções dos serviços de emergência e fiquem atentos a possíveis evacuações.


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