O senador Flávio Bolsonaro acusou Alexandre de Moraes de usar a busca e apreensão para fabricar justificativa e transferir o ex-presidente para a prisão fechada. Para ele, o ministro do STF busca 'uma desculpinha' contra seu pai.
Nesta segunda-feira (13/07), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou, em transmissão on-line, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estaria procurando um pretexto para transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro do regime de prisão domiciliar para o fechado. Segundo o parlamentar, a recente decisão de Moraes que autorizou busca e apreensão em endereços ligados ao ex-chefe do Executivo teria como objetivo encontrar “uma muniçãozinha” que sustentasse nova mudança no regime de custódia.
“O que eu percebo é que ele quer mais um desculpinha de tirar meu pai da prisão domiciliar. Não sejamos ingênuos, acabou de ter uma busca e apreensão na casa de meu pai”, afirmou o senador.
Flávio acrescentou que a defesa do ex-presidente já havia informado formalmente a localização das dez armas registradas e, mesmo assim, a operação foi realizada. Ele também relacionou o prazo de 90 dias de restrição de visitas — imposto por Moraes ao próprio senador — ao calendário eleitoral. Para o pré-candidato à Presidência, a limitação terminaria logo após o primeiro turno, o que, em sua avaliação, configuraria tentativa de interferência no pleito.
Na semana passada, o ministro do STF determinou a suspensão, por três meses, das visitas do senador ao pai, depois que Flávio divulgou carta em que Jair Bolsonaro o designa como porta-voz durante a campanha. Na decisão, Moraes ressaltou que o ex-presidente está proibido de usar redes sociais, “diretamente ou por intermédio de terceiros”, condição fixada como medida cautelar após sua prisão preventiva ser convertida em domiciliar.
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A divulgação do texto, na visão do ministro, poderia violar a restrição. Já a defesa de Jair Bolsonaro argumenta que o conteúdo não foi publicado em perfis do próprio ex-mandatário, mas em contas de apoiadores e do filho parlamentar, o que, na interpretação dos advogados, não caracterizaria desobediência às ordens judiciais.
A busca e apreensão também buscava conferir se havia outras armas ou munições não comunicadas oficialmente. Os agentes, conforme a defesa, não encontraram irregularidades relevantes. Até o momento, não houve pedido formal de revogação da domiciliar, mas Flávio sustenta que a movimentação indicaria iminente mudança de entendimento do magistrado.
Procurados, o STF e a assessoria de Alexandre de Moraes não comentaram as declarações. O senador mantém a pré-candidatura pelo PL e afirmou que continuará a atuar como representante político do pai, respeitando, segundo ele, “os limites da lei”.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a decisão de Moraes segue interpretação estrita das medidas cautelares previamente impostas e não indicaria, por si só, interferência eleitoral, mas reconhecem que o prolongamento do caso pode gerar impacto no processo político, a depender dos próximos desdobramentos judiciais.
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