Estudo da Abrainc alerta: extinguir o 6×1 eleva custos da construção civil e repassa a conta ao comprador. Cerca de 12,5 milhões de brasileiros podem perder o acesso à casa própria.
O debate sobre a possível extinção da jornada de trabalho 6×1 foi tema central de um seminário realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) nesta quinta-feira, 25/06. A entidade divulgou estudos internos indicando que a alteração da escala pode pressionar o custo da construção civil e, por consequência, encarecer os imóveis em mais de 5%.
Segundo os cálculos apresentados, o aumento da folha de pagamento decorrente da contratação de trabalhadores extras seria imediatamente repassado aos preços finais. Com isso, cerca de 12,5 milhões de brasileiros teriam mais dificuldade para adquirir a casa própria, estimou a Abrainc.
“É uma pauta-bomba. Se aprovada, vai afastar ainda mais o cidadão do sonho de comprar seu imóvel”, afirmou Luiz França, presidente da associação.
França acrescentou que a repercussão não se limitaria ao setor habitacional. De acordo com as simulações, produtos como vestuário, bebidas e alimentos também sofreriam impacto inflacionário, já que diversos segmentos produtivos adotam a escala 6×1. Ele advertiu que o consumidor poderá enfrentar prazos de atendimento mais longos ou pagar mais caro por serviços durante o tempo livre.
Preços vistos na Amazon em 10/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
“Seríamos o único país do mundo a inserir a escala de trabalho na Constituição Federal. Outros mercados tratam a jornada por legislação infraconstitucional”, argumentou o dirigente.
A discussão ocorre em um contexto de juros elevados. A taxa Selic, que alcançou 15% ao ano no início de 2026 ‑ o maior patamar em duas décadas ‑, permanece em 14,25%. Esse nível encarece o financiamento imobiliário, reduzindo a base de potenciais compradores. Para a Abrainc, o ambiente de crédito apertado, somado à eventual elevação de custos trabalhistas, pode desestimular novos lançamentos.
O endividamento das famílias é outro fator de preocupação. Com parcelas de empréstimos e cartão comprometendo renda, o crédito habitacional tende a ficar em segundo plano, observou a associação. Além disso, o conflito no Oriente Médio, que elevou preços de insumos e pressionou a inflação global, permanece no radar dos incorporadores.
Participantes do seminário ressaltaram que a produtividade do trabalho no Brasil ainda é baixa, o que dificulta a absorção de carga horária menor sem repasse de custos. Pesquisadores lembraram que uma eventual redução de jornada exige contrapartidas tecnológicas ou mudanças nos processos produtivos para não afetar preços. O assunto deverá voltar à pauta do Congresso nas próximas semanas, mas o setor imobiliário pretende intensificar o diálogo para evitar impactos negativos na oferta de moradias.
Apesar das críticas à proposta, especialistas presentes destacaram que o debate sobre qualidade de vida do trabalhador é legítimo. No entanto, defenderam que qualquer alteração considere impactos econômicos mais amplos e inclua fase de transição que minimize efeitos sobre emprego, inflação e acesso à moradia.
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