A entidade reagiu às pressões contra seu presidente e negou acusações em meio à disputa pelo comando em 2027. Infantino é, até agora, o único candidato declarado.
A Fifa divulgou neste sábado (08/08) um comunicado em que classifica como “esforço orquestrado e contínuo” as pressões dirigidas contra a entidade e contra o seu presidente, Gianni Infantino. O texto ocorre em meio às reações negativas ao projeto — já descartado — que abriria parte das operações da federação a investidores privados.
Infantino, no comando da organização desde 2016, é o único candidato já declarado à eleição marcada para março de 2027. Para permanecer no cargo, ele terá de reunir a maioria dos 211 votos das associações nacionais filiadas. Nos últimos dias, contudo, o dirigente ítalo-suíço passou a enfrentar críticas mais duras, sobretudo da Uefa, que mantém a hipótese de boicotar as próximas Copas do Mundo sob alegação de que a mera retirada do plano de privatização não resolve divergências de governança.
Na avaliação de interlocutores da Fifa, o ambiente negativo ganhou força após a publicação de reportagem do jornal britânico Telegraph. O veículo, sem revelar romover uma funcionária com quem mantinha relacionamento íntimo. O texto indica ainda o pagamento de uma indenização de seis dígitos a essa profissional e o custeio de um curso de negócios no valor de 50 mil euros.
Infantino rejeita a versão apresentada pelo Telegraph. Em nota, a Uefa confirmou que efetuou pagamento associado à saída da colaboradora e arcou com despesas de MBA, mas não comentou suposto favorecimento.
“Informações recentes incluíram alegações infundadas e afirmações claramente falsas sobre a Fifa e seu presidente. Especulações e insinuações não devem ser apresentadas como fatos”, declarou a federação internacional.
No mesmo documento, a Fifa recordou manifestações públicas das confederações da América do Sul (Conmebol) e da África (CAF) favoráveis à recondução de Infantino. Ambas afirmam que não apoiarão um processo eleitoral que fira os estatutos da entidade.
O tema foi discutido em reunião de emergência realizada quatro dias atrás no Marrocos. Ao final do encontro, integrantes do Conselho ofereceram “apoio total” ao presidente e apresentaram “pedidos de desculpas” pela forma como o projeto de captação de capital externo havia sido conduzido.
A ofensiva da Fifa não encerrou o impasse. No dia seguinte à reunião, a Uefa reiterou a disposição de afastar seleções europeias de competições organizadas pela federação mundial, citando “perda de confiança” na atual administração. Paralelamente, a Federação Norueguesa de Futebol, que desde 2020 tem cobrado mudanças na governança internacional, defendeu publicamente a renúncia de Infantino.
Enquanto isso, o presidente da Fifa desembarcou em Cali, onde acompanhou a posse de Abelardo de la Espriella como chefe de Estado colombiano. Durante a cerimônia, recebeu novas declarações de apoio da Conmebol, cujo dirigente elogiou “o grande trabalho” desenvolvido desde 2016.
Com o calendário eleitoral mantido, a sucessão na principal entidade do futebol permanece aberta a novos concorrentes até o prazo de registro de chapas. Até lá, a disputa seguirá marcada por trocas de acusações, ameaças de boicote e negociações nos bastidores.
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