A aliança entre União Brasil e PP reduziu quase pela metade o número de nomes na corrida eleitoral. As siglas agora dividem nominatas sob regras do TSE para federações.
União Brasil e Progressistas, que oficializaram uma federação partidária em março, registraram 1.537 candidatos para a disputa eleitoral de 2026 — 828 pelo União Brasil e 709 pelo PP. O total representa uma redução de 47% em relação às 2.904 candidaturas que as duas siglas apresentaram em 2022.
A diminuição de 1.367 nomes decorre do acordo conduzido pelos presidentes partidários Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP). Com a união formalizada, as legendas passaram a dividir nominatas e a obedecer às regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tratam das federações, dispositivo que obriga as siglas a atuar em bloco por pelo menos quatro anos e a apresentar chapas conjuntas em todo o país.
A medida forçou ajustes na estratégia eleitoral. Ao compartilhar espaço nas listas para deputado federal, estadual e distrital, a federação eliminou sobreposições que, em 2022, resultavam em concorrência direta entre filiados das duas agremiações. Agora, o objetivo é concentrar votos nas chapas únicas, maximizando o coeficiente eleitoral e, consequentemente, o número de cadeiras no Congresso Nacional e nas assembleias.
O enxugamento acompanha uma tendência mais ampla: o TSE recebeu pouco mais de 20,5 mil pedidos de registro de candidatura este ano, o menor nível desde 2006, quando havia 19,2 mil. Em relação a 2022, quando foram protocoladas 29,2 mil candidaturas, a queda geral é de 30%.
Especialistas no calendário eleitoral lembram que as federações partidárias foram criadas pela Lei 14.208/2021 como alternativa ao fim das coligações proporcionais. Ao obrigar convivência programática prolongada, o modelo estimula fusões de estruturas e, na prática, diminui o número de candidatos nas disputas legislativas.
Além de União Brasil e PP, outras composições — como PT-PCdoB-PV e PSDB-Cidadania — também revisaram suas listas para cumprir as mesmas exigências. A expectativa é que o TSE divulgue o quadro definitivo de candidaturas até o início de setembro, após o exame de eventuais impugnações.
No curto prazo, dirigentes avaliam internamente o impacto da redução sobre o tempo de rádio e televisão, bem como na divisão de recursos do Fundo Eleitoral. Caso confirme o desempenho desejado nas urnas, a federação União Brasil-PP poderá ampliar sua bancada, hoje somada em 108 deputados federais.
Na prática, a nova configuração deve alterar o equilíbrio de forças na Câmara dos Deputados a partir de 2027. Acompanhada de perto por partidos de centro e esquerda, a experiência da federação se tornou referência para siglas que buscam otimizar representatividade sem recorrer a fusões formais.
Com prazos e regras consolidados, as cúpulas de União Brasil e PP devem manter a agenda de campanhas unificadas até o início oficial do horário eleitoral, previsto para 20 de agosto. Até lá, a federação concentra esforços em estados onde as duas legendas somaram votações expressivas no último pleito, como Bahia, Goiás e Piauí.
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