Grãos fecharam em direções opostas em Chicago nesta segunda. Farelo evitou queda da soja, que encerrou estável, mas milho e trigo não resistiram e recuaram no pregão.
Os mercados de grãos encerraram o pregão de 23/06 com comportamento divergente na Bolsa de Chicago. A soja manteve-se praticamente estável, ao passo que milho e trigo registraram queda diante de fundamentos próprios de cada segmento.
No complexo da oleaginosa, o contrato novembro da soja subiu 0,02%, encerrando a sessão a US$ 11,41 por bushel. Analistas da Agrinvest avaliaram que o farelo foi decisivo para impedir um recuo mais acentuado, dado o avanço de cerca de 1% nos contratos mais próximos desse subproduto.
“O farelo continua sendo o principal vetor de apoio aos preços do grão, com os Estados Unidos ampliando presença nas exportações para a Europa”, destacou a consultoria.
Além do impulso do farelo, permanecem no radar as negociações do governo argentino com o setor de transportes, que visam evitar paralisações de caminhoneiros e consequentes atrasos no escoamento da safra. Qualquer interrupção no fornecimento argentino poderia realocar demanda para os Estados Unidos, tese que segue monitorada por fundos e tradings internacionais.
O óleo de soja, por outro lado, não acompanhou o fôlego do farelo. A retração nas cotações do petróleo impôs pressão adicional, limitando ganhos mais robustos na oleaginosa.
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No mercado de milho, o contrato dezembro recuou 0,51%, para US$ 4,37 por bushel. Logo pela manhã os preços ensaiaram valorização, mas a tendência se inverteu diante de previsões climáticas favoráveis para o cinturão produtor norte-americano. A Datagro relatou que o desenvolvimento das lavouras da safra 2026/27 transcorre sem anomalias hídricas ou térmicas significativas.
“Com clima cooperando e expectativa de bom potencial produtivo, o mercado ajustou posições”, observou a consultoria.
O relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), agendado para 30/06, segue como próximo ponto de atenção. A expectativa preliminar da Datagro indica que a área definitiva venha ligeiramente abaixo dos 38,58 milhões de hectares projetados em março, fato que pode redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda no segundo semestre.
Para o trigo, o contrato setembro cedeu 1,73%, fechando a US$ 5,97 por bushel. A Granar atribuiu a pressão ao avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos, que amplia a disponibilidade interna e diminui a necessidade imediata de importações. Adicionalmente, as primeiras operações de plantio em outras regiões do Hemisfério Norte, como Rússia e Ucrânia, reforçam a percepção de oferta global confortável para a temporada 2026/27, a começar em 1º de julho.
Gestores de risco também seguem atentos aos impactos indiretos de tensões no Oriente Médio sobre custos logísticos e seguros marítimos. Embora ainda incertos, esses fatores podem alterar o fluxo de commodities agrícolas, inclusive para produtores brasileiros que competem nos mesmos mercados.
Com isso, o quadro ao final do pregão foi de relativa estabilidade para a soja sustentada pelo farelo, enquanto milho e trigo permaneceram sob influência de fundamentos de oferta robusta e expectativas climáticas positivas.
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