Exercício físico vira arma contra o câncer e muda protocolo médico

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Sociedades médicas internacionais recomendam atividade supervisionada no tratamento do câncer. A prática preserva músculos, melhora o fôlego e aumenta a tolerância à quimioterapia e radioterapia.

Manter um programa regular de atividade física supervisionada passou a ser parte integrante das recomendações clínicas para quem enfrenta o câncer. Evidências reunidas por sociedades médicas internacionais mostram que movimentos planejados ajudam a preservar força muscular, condicionamento cardiorrespiratório e autonomia nas tarefas diárias, fatores que influenciam diretamente a tolerância aos tratamentos e a qualidade de vida.

O impacto da doença, somado a cirurgias, quimioterapia, radioterapia e longos períodos de inatividade, costuma acelerar a perda de massa muscular e diminuir a resistência física. Como consequência, levantar da cama, subir poucos degraus ou caminhar distâncias curtas podem exigir um esforço desproporcional, desencadeando um quadro de fadiga persistente que não desaparece com repouso.

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Interromper esse ciclo é um dos principais efeitos do exercício. Ao estimular adaptações fisiológicas — como aumento do volume sistólico, melhora da perfusão periférica e manutenção das fibras musculares — a prática ajuda a reduzir a sensação de cansaço e amplia a capacidade funcional mesmo durante fases intensas de tratamento oncológico.

Resultados recentes reforçam essa conclusão. Durante a Reunião Anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2026, o estudo CHALLENGE acompanhou pacientes submetidos à cirurgia e quimioterapia para câncer colorretal. Aqueles inseridos em um programa supervisionado de exercícios por três anos apresentaram menor risco de recidiva, maior sobrevida global e redução dos custos assistenciais. Outro trabalho, divulgado neste ano, monitorou pessoas com o mesmo tipo de tumor por dois anos e identificou queda progressiva da fadiga e melhora substancial na qualidade de vida entre quem manteve o hábito de caminhar de seis a doze meses após o diagnóstico.

O avanço do conhecimento levou a novas diretrizes em 2026, que estenderam as recomendações a grupos historicamente menos estudados, como idosos e crianças. Especialistas ressaltam, entretanto, que não existe protocolo único. Modalidade, intensidade e frequência precisam considerar estágio da doença, efeitos colaterais das terapias e condições clínicas associadas.

“Respirar com menos esforço, caminhar com segurança e manter a independência são metas que influenciam a experiência do paciente. O exercício tornou-se ferramenta comprovada para atingir esses objetivos ao longo de toda a jornada oncológica”, afirma a fisioterapeuta Tania Tonezzer, especialista em oncologia e cuidados paliativos.

Durante quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, a prática favorece a manutenção da força e da mobilidade, potencializando a tolerância às sessões e reduzindo complicações. Após a conclusão dos protocolos, facilita a retomada do condicionamento físico e da rotina de trabalho ou estudos. Já nos cuidados paliativos, contribui para preservar o conforto, a autonomia e a dignidade.

Para muitos pacientes, pequenas caminhadas diárias já trazem ganhos significativos. Outros podem se beneficiar de planos estruturados, combinando treinamento aeróbico, fortalecimento muscular, exercícios respiratórios e atividades de equilíbrio. A supervisão profissional garante ajuste de carga, monitoramento de sinais vitais e adequação do programa a eventuais limitações.

Na prática, incorporar o exercício à terapêutica oncológica exige integração multiprofissional. Oncologistas, fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas avaliam riscos, definem metas realistas e acompanham a evolução clínica. O consenso entre pesquisadores é claro: além de tratar o tumor, é preciso preservar a funcionalidade para que o paciente enfrente o desafio com mais fôlego e menos desgaste.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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