EUA sancionam rede iraniana que abastece petróleo ilegal pelo mar

Robson Alves
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Washington mira empresas, navios e empresários ligados ao magnata Shamkhani, acusado de liderar o esquema de exportação ilícita de energia iraniana. As sanções visam estrangular o financiamento do regime.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (14), um novo pacote de sanções destinado a enfraquecer o que Washington classifica como uma rede iraniana de transporte marítimo utilizada para burlar restrições anteriores sobre a venda de petróleo e outros produtos. As novas medidas miram pessoas físicas, empresas e embarcações ligadas ao empresário Mohammad Hossein Shamkhani, apontado pelo governo norte-americano como peça central na logística das exportações de energia do Irã.

De acordo com a autoridade norte-americana, a chamada “rede Shamkhani” não apenas mantém o escoamento de petróleo iraniano, mas também expandiu sua atuação para o transporte global de contêineres e o comércio de commodities. O anúncio de hoje complementa listas divulgadas em abril e no ano passado; juntas, elas atingem mais de 200 indivíduos, entidades e navios associados ao grupo, conforme dados oficiais.

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“Estamos desmantelando a infraestrutura financeira que permite ao regime continuar com suas ameaças à segurança nacional dos EUA e ao transporte marítimo global”, declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

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As sanções determinam o congelamento de quaisquer ativos que os designados mantenham sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbem cidadãos ou empresas norte-americanas de realizar negócios com eles. Em paralelo, o Tesouro autorizou operações específicas consideradas necessárias para o encerramento de atividades, segurança ou proteção ambiental, além do desembarque de cargas vinculadas a embarcações bloqueadas nesta terça-feira.

A missão iraniana junto à Organização das Nações Unidas foi procurada para comentar as novas restrições, mas não havia respondido até a publicação desta reportagem. Teerã costuma enxergar as sanções como parte de uma campanha de “pressão máxima” norte-americana e, em declarações anteriores, afirma que suas exportações de petróleo prosseguem apesar das restrições.

As medidas divulgadas hoje se inserem em uma estratégia mais ampla de Washington para conter a capacidade do Irã de gerar receitas externas. Autoridades norte-americanas argumentam que tais recursos sustentam programas regionais considerados hostis, além de ameaçar rotas de navegação em pontos estratégicos, como o Golfo Pérsico.

Para além do impacto econômico imediato, as novas restrições aumentam o risco regulatório para operadores do setor marítimo que, direta ou indiretamente, movimentem cargas de origem iraniana. Analistas observam que cada rodada de sanções amplia a complexidade das rotas e encarece o seguro marítimo, fatores que podem afetar tanto exportadores iranianos quanto compradores de petróleo em mercados asiáticos.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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