O USS George Washington foi enviado ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln. A mudança deixa o Mar do Sul da China sem cobertura temporária de um navio-aeródromo americano.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou imagens que mostram o porta-aviões de propulsão nuclear USS George Washington navegando em direção ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, cuja tripulação relata condições de vida cada vez mais precárias. Com isso, o Mar do Sul da China ficará temporariamente sem a cobertura de um navio-aeródromo norte-americano, movimento que especialistas veem como um enfraquecimento estratégico em plena escalada de tensões na Ásia.
Atualmente, a Marinha dos EUA opera 11 porta-aviões nucleares. Cinco deles permanecem em manutenção na costa da Virgínia, dois atracados em San Diego (Califórnia) e um no Estado de Washington. Outros dois estão posicionados no Mar Arábico — entre eles o próprio Abraham Lincoln —, enquanto o George Washington era o único destacado para a região do Japão, responsável por patrulhar o Indo-Pacífico.
A necessidade de troca se agravou após a principal base logística norte-americana no Bahrein, usada para apoiar as operações no Mar Arábico, ter sido alvo de um ataque atribuído ao Irã no início do atual conflito regional. Danificada, a instalação deixou de fornecer suprimentos e manutenção de forma eficaz, obrigando as tripulações a depender da remota ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, praticamente dobrando o tempo de reposição de peças e víveres.
“Eles ‘quebraram o vidro de emergência’ e transferiram o navio que costuma ficar no Japão para cobrir o Oriente Médio; com isso, o Mar do Sul da China fica descoberto”, relatou uma comentarista militar durante transmissão nesta quarta-feira (19).
Segundo a mesma análise, deslocar um porta-aviões do Pacífico até o Golfo Pérsico pode levar cerca de um mês, período em que a Coreia do Norte continua a testar mísseis balísticos e Pequim reitera reivindicações sobre Taiwan. Embora autoridades militares sustentem que a transferência “já estava planejada”, fontes internas apontam problemas de saúde mental a bordo do Abraham Lincoln, embarcação que opera há nove meses sem pausa.
O George Washington atravessou o estreito de Malaca, entre Malásia e Indonésia, no início da semana e segue realizando operações no Oceano Índico antes de assumir posição definitiva. O Pentágono não informou quando um novo porta-aviões retornará ao Japão, mas analistas calculam que, até que a base do Bahrein seja reparada ou um navio seja remanejado de outro porto norte-americano, o Indo-Pacífico permanecerá sem cobertura naval de grande porte.
A lacuna preocupa aliados regionais que contam com a presença constante dos porta-aviões dos EUA como elemento de dissuasão. Em paralelo, diplomatas aguardam sinais de como a China reagirá à mudança, já que Pequim tem intensificado exercícios navais perto do estreito de Taiwan. A indefinição sobre a reposição no teatro asiático alimenta especulações de que Washington poderá acelerar reparos no Bahrein ou mobilizar outro navio atualmente em manutenção, caso a situação regional se deteriore.
Apesar das críticas, a Marinha reafirma que a rotação de porta-aviões continua dentro da normalidade e que o bem-estar das tripulações permanece “prioridade absoluta”.
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