Washington convoca audiência para apurar práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Com 85 inscritos, o encontro reúne desde o senador Flávio Bolsonaro até confederações do setor produtivo nacional.
A audiência pública convocada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) registrou 85 pedidos de participação até o término das inscrições, em 22/06/2026. A sessão, marcada para 06/07, integra a investigação que apura a suposta adoção de práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano, como o Pix e determinados modelos de comércio digital.
Entre os solicitantes estão o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confederações de indústria, comércio e agricultura, além de executivos de grandes companhias privadas. O governo brasileiro informou que não encaminhará representantes oficiais à audiência.
A Confederação Nacional da Indústria pretende ser representada pelo diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Ele deve defender a via negociada como alternativa à imposição de novas tarifas, alegando que medidas corretivas podem prejudicar cadeias produtivas relevantes para os dois países.
“Buscamos evitar danos econômicos desnecessários para ambos os países”
Outras entidades setoriais também pediram tempo de fala. A Companhia Siderúrgica Nacional, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos argumentam que não há desequilíbrio que justifique sobretaxas. Segundo elas, restrições elevariam custos de produção nos Estados Unidos e poderiam afetar investimentos e preços ao consumidor.
No setor privado, empresas como Klabin e Bauducco pretendem expor suas preocupações. A fabricante de papel e celulose informará que não mantém vínculo com desmatamento ilegal e que qualquer tarifa adicional recairia sobre importadores norte-americanos. Já a Bauducco enviará seu responsável internacional, Stefano Mozzi, para enfatizar a presença histórica da marca no mercado local e o caráter transitório das importações em fases de expansão industrial.
Flávio Bolsonaro solicitou tempo para requerer a suspensão do chamado “tarifaço” e propor um entendimento bilateral. Em sua inscrição, o parlamentar afirma que buscará uma “resolução construtiva e negociada das questões identificadas na investigação”.
Também consta entre os inscritos o jornalista Paulo Figueiredo, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele pretende sustentar que a adoção de sobretaxas pode aproximar o Brasil da China e, dessa forma, “contrariar estratégias norte-americanas na região”.
A sessão do dia 06/07 será uma das últimas etapas antes de o USTR elaborar recomendações formais ao governo dos Estados Unidos. Após ouvir os expositores, a representante comercial norte-americana avaliará se mantém, amplia ou descarta a aplicação de novas barreiras às exportações brasileiras.
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