EUA decidem hoje sobre tarifa de 25% em produtos brasileiros

Robson Alves
3 Min Leitura

O prazo para os EUA definirem a sobretaxa de 25% ao Brasil vence nesta quarta. Carnes, café e petróleo ficam de fora, mas outros setores podem ser duramente afetados.

O Escritório da Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) encerra HOJE, 15 de julho, o período de análise para decidir se aplicará uma sobretaxa de 25% a uma série de produtos brasileiros vendidos no mercado norte-americano. A medida foi proposta em junho com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA e, se confirmada, atingirá itens fora da lista de exceções considerada de “segurança nacional”.

Permanecem isentos, por enquanto, produtos que representam parte expressiva do intercâmbio bilateral — carnes, café, peças aeronáuticas, minerais metálicos, frutas, especiarias e petróleo. Ainda assim, setores industriais e do agronegócio calculam impacto relevante nas vendas externas caso a tarifa se concretize.

Publicidade

Brasília contesta o teor da investigação aberta em julho do ano passado, que elenca seis supostas práticas desleais, entre elas incentivos ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas de etanol e questões ambientais. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), já ocorreram cinco rodadas de reuniões em alto nível com o representante comercial Jamieson Greer.

“Nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justifica a aplicação das tarifas recomendadas”, afirmou o Mdic em nota divulgada nesta manhã.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 15/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que o governo mantém o diálogo, mas estuda retomar imediatamente o processo previsto na Lei de Reciprocidade caso o tarifaço seja oficializado.

“É provável que, uma vez consultado o presidente Lula, retomemos a tramitação da reciprocidade”, disse Durigan, admitindo também a possibilidade de nova Medida Provisória para socorrer exportadores.

No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalham com três cenários. O mais provável é a imposição da tarifa, resposta que deverá combinar contestação técnica, diversificação de mercados e apoio financeiro aos setores afetados. Ainda são considerados, com menor probabilidade, um adiamento do anúncio ou a suspensão total das taxas.

Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR ouviu 335 empresas e entidades de ambos os países, além de 30 manifestações individuais. Entre os opositores ao tarifaço estão multinacionais norte-americanas como Coca-Cola, eBay e Tesla, que alegam riscos de aumentos de custos em suas cadeias de produção. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também apresentou argumentos contrários durante a audiência, fato mencionado por analistas que veem possível uso político da decisão pela Casa Branca.

Enquanto aguarda o parecer final do USTR, o governo brasileiro reforça o discurso de defesa da soberania e sinaliza que reagirá “com equilíbrio, mas com firmeza”, caso os EUA confirmem a nova barreira tarifária.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias