A economia americana surpreendeu e cresceu 2,1% no 1º trimestre, acima do esperado. Porém, o consumo das famílias perde força e acende um sinal de alerta para os próximos meses.
A terceira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre apontou avanço anualizado de 2,1%, acima dos 1,6% divulgados anteriormente. O dado, informado nesta quinta-feira (25) pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio, indica que a economia americana cresceu mais do que se supunha, embora com sinais de fraqueza no principal motor da atividade: o consumo das famílias.
Economistas consultados por instituições de pesquisa não previram essa correção. A revisão para cima de 0,5 ponto percentual decorreu, principalmente, da redução nas importações de bens de consumo e de capital, fator que acrescenta positivamente ao cálculo do PIB. Em contrapartida, a despesa das famílias, que responde por mais de dois terços da produção nacional, veio consideravelmente mais fraca que a estimativa anterior.
“Os gastos do consumidor praticamente estagnaram no período”, ressalta o relatório oficial.
Segundo o documento, a expansão do consumo foi recalculada de 1,4% para apenas 0,5%. A correção negativa refletiu menores desembolsos em serviços financeiros, seguros e viagens internacionais. Parte desse recuo está vinculada à volatilidade do mercado acionário no fim do ano passado, que teria afetado a confiança dos investidores individuais.
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O desempenho dos três últimos meses de 2025 já apontava desaceleração, com crescimento de 0,5%. O movimento de baixa nas importações, agora identificado com mais clareza, compensou em parte a fraqueza da demanda doméstica. Ainda assim, o relatório sinaliza que a atividade pode ganhar algum fôlego no começo do segundo trimestre, impulsionada por restituições de impostos mais volumosas. Na semana encerrada em 8 de maio, a restituição média foi de US$ 3.276, acima dos US$ 2.939 registrados em igual período de 2025.
Além do alívio temporário ao orçamento das famílias, o setor empresarial manteve ritmo robusto de investimento em tecnologias ligadas à inteligência artificial. Os gastos com equipamentos avançaram 15,8%, pouco abaixo da estimativa anterior de 17,2%, enquanto a rubrica de propriedade intelectual subiu 13,8%, superando os 11,6% calculados anteriormente.
Apesar da revisão positiva, permanecem incertezas relacionadas à inflação, cujos índices seguem acima da meta do Federal Reserve, e ao impacto de choques externos nos preços de energia. Analistas observam que, se o consumo não retomar força nos próximos meses, o crescimento poderá depender cada vez mais do setor corporativo e de exportações líquidas, combinação que, historicamente, apresenta maior volatilidade.
Para o segundo semestre, projeções preliminares apontam expansão moderada, enquanto o mercado de trabalho e a trajetória dos juros deverão definir a velocidade de recuperação do consumo. Por ora, o resultado de 2,1% confirma os Estados Unidos como uma das economias mais resilientes entre os países desenvolvidos, embora traga o alerta de que a sustentação desse desempenho exigirá melhora consistente nos gastos das famílias.
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