EUA bombardeiam bases iranianas e retomam bloqueio no Estreito de Ormuz

Robson Alves
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Washington intensifica ofensiva militar contra o Irã após ataques a navios mercantes. Sete soldados iranianos morreram e 260 ficaram feridos nos bombardeios americanos.

Os Estados Unidos voltaram a impor um bloqueio naval ao Irã e ampliaram seus ataques aéreos na madrugada e na manhã desta quarta-feira (15), depois que embarcações ligadas a Teerã dispararam contra navios mercantes no Estreito de Ormuz. A operação, conduzida pelo Comando Central norte-americano, atingiu dezenas de alvos militares em território iraniano ao longo de cerca de sete horas.

Autoridades de Teerã confirmaram que um dos bombardeios destruiu parte do quartel da 388ª Brigada de Infantaria Mecanizada, na província de Sistan e Baluchistão. Sete militares morreram e mais de 260 pessoas ficaram feridas em todo o país, número considerado o mais alto desde o início da escalada, em fevereiro.

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“A exportação de petróleo e gás da região será para todos ou para ninguém”, declarou a Guarda Revolucionária, ameaçando suspender completamente o fluxo de energia do Oriente Médio caso o bloqueio se mantenha.

O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural e permanece no centro da disputa. Durante o cessar-fogo provisório assinado em abril, parte do tráfego marítimo passou por um corredor próximo a Omã, sob escolta dos EUA. Com o retorno dos ataques, navios que usavam essa rota também foram atingidos, elevando o risco de interrupção total da passagem.

Alarmes de mísseis soaram no Bahrein e no Kuwait na madrugada de hoje. A Jordânia informou ter derrubado três projéteis iranianos, enquanto Teerã confirmou ofensivas contra as três nações, todas hospedeiras de bases norte-americanas. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central, relatou o lançamento de “dezenas de mísseis e drones” contra países vizinhos.

Em Washington, o presidente Donald Trump vinculou o avanço das operações à retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, suspensas havia um mês. Ele afirmou que ataques adicionais “ocorreriam nos próximos dois dias” se não houvesse progresso diplomático e admitiu que pontes e usinas de energia podem entrar na lista de alvos militares na próxima semana.

“É melhor vocês fecharem um acordo, ou não restará nada para vocês”, advertiu Trump durante entrevista à Fox News.

O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, enviou carta ao secretário-geral condenando a ação norte-americana.

“Os EUA são os agressores, não a vítima”, registrou o diplomata, de acordo com a agência estatal IRNA.

Do lado econômico, o preço do Brent superou US$ 85 o barril, cerca de 15% acima do valor anterior ao conflito, mas ainda distante do pico de quase US$ 120 alcançado em março. Especialistas alertam que uma operação militar para reabrir o estreito exigiria uma frota maior e possivelmente dezenas de milhares de tropas em solo, cenário que o Pentágono procura evitar enquanto tenta conter os custos internos da guerra para a campanha republicana nas eleições de novembro.

No início da semana, Trump chegou a anunciar a cobrança de uma tarifa de 20% sobre navios que passassem pelo corredor marítimo, mas recuou após apelos de aliados do Golfo que preferem canalizar “bilhões de dólares” em investimentos para os Estados Unidos.

Até o momento, mais de 30 pessoas foram mortas desde o reinício dos bombardeios, segundo a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani. O Ministério da Saúde iraniano contabilizou feridos em todas as províncias atingidas e ressaltou que hospitais militares permanecem de prontidão. Teerã prometeu “resposta decisiva” e estuda opções de retaliação, inclusive a paralisação total do Estreito de Ormuz.

Analistas veem o colapso do acordo provisório como um retorno ao risco de conflito aberto no Golfo. Enquanto Washington tenta manter pressão militar sem escalar para uma guerra regional, o Irã explora o impacto econômico do bloqueio para fortalecer sua posição na mesa de negociações. Com as conversas suspensas e ameaças mútuas em tom crescente, diplomatas europeus alertam que a janela para uma solução política se estreita rapidamente.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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