Em Seul, Lula compara investidas golpistas no Brasil e na Coreia do Sul e ressalta força da democracia

República da Verdade
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Em discurso nesta segunda-feira (23) em Seul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionou os ataques de 8 de Janeiro de 2023 no Brasil às recentes tentativas de ruptura institucional na Coreia do Sul, argumentando que as duas nações comprovaram a resiliência de suas democracias diante de investidas autoritárias.

“Apesar da distância geográfica, as histórias políticas recentes de Brasil e Coreia têm muito em comum”, afirmou Lula, lembrando que ambos os países reconquistaram a democracia nos anos 1980 após períodos de resistência. O presidente destacou que, quatro décadas depois, as duas sociedades voltaram a enfrentar desafios semelhantes: “Quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência”.

Defesa coordenada dos valores democráticos

Lula declarou que a reação às ameaças fortaleceu o compromisso com a soberania popular. Ele também sublinhou a necessidade de articulação internacional contra extremismos, desinformação e discursos autoritários. Durante a visita oficial, reforçou o convite para que o presidente sul-coreano participe de um encontro em defesa da democracia programado para abril, em Barcelona.

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Ao encerrar o pronunciamento, o chefe do Executivo brasileiro apontou convergências na política externa dos dois países, classificando Brasil e Coreia do Sul como “firmes defensores da paz, do multilateralismo e do direito internacional”.

Tentativa de lei marcial na Coreia do Sul

No contexto asiático, a democracia sul-coreana foi “colocada à prova” após a tentativa de imposição de lei marcial em meio a uma crise política que mobilizou Parlamento e sociedade civil. O então presidente Yoon Suk-yeol tornou-se alvo de processo judicial e foi condenado por abuso de poder relacionado às medidas adotadas durante o episódio.

Considerada símbolo de estabilidade democrática na Ásia, a Coreia do Sul viu a iniciativa fracassada reacender lembranças dos golpes militares ocorridos entre 1960 e 1980. Detido em regime de isolamento, Yoon nega ter agido de forma ilícita. Ele alega que pretendia “proteger a liberdade” diante do que descreveu como “ditadura legislativa” da oposição.

O Ministério Público sul-coreano, porém, acusou o ex-mandatário de liderar uma “insurreição” motivada por desejo de permanecer no poder. A legislação local prevê apenas dois tipos de punição para o crime de insurreição: prisão perpétua ou pena de morte. Yoon já havia recebido sentença de cinco anos de prisão por outras acusações, e outros altos funcionários também foram condenados por participação na tentativa de declarar lei marcial.

O 8 de Janeiro no Brasil

No Brasil, a ofensiva contra as instituições começou logo após o resultado eleitoral divulgado em 30 de outubro de 2022, quando grupos passaram a pedir intervenção militar para impedir a posse de Lula. Seguiram-se bloqueios de rodovias e acampamentos golpistas em frente a quartéis.

A escalada incluiu a instalação de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal após a queima de ônibus no dia da diplomação do presidente eleito.

Após investigação, o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, concluindo que houve conspiração para anular a eleição e manter Bolsonaro no poder. Segundo a decisão, o ex-chefe do Executivo tentou convencer comandantes militares a aderir ao plano golpista.

Até o momento, Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, enquanto investigações e processos contra demais envolvidos prosseguem na Suprema Corte.

Ao comparar os episódios vividos pelos dois países, Lula sustentou que a firme reação institucional reforça a democracia e serve de alerta global contra retrocessos autoritários.

Com informações de Jovem Pan

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