Eliminação nas oitavas expõe fracasso da Seleção enquanto convocação foi festa

Rafael Ramos
3 Min Leitura

O Brasil cai diante da Noruega e se aproxima do pior resultado em Copas. Enquanto potências se classificam com discrição, Dorival promoveu espetáculo na convocação sem entregar desempenho.

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da Noruega, mantém o time fora do grupo das oito melhores seleções do torneio. Segundo projeções da FIFA, a equipe comandada por Dorival Júnior deve encerrar o Mundial entre a décima e a décima-primeira colocações, configurando uma das piores campanhas do país em Copas.

O contraste entre resultados e expectativa ficou ainda mais evidente quando comparado ao processo de anúncio da lista de convocados. Enquanto França, Espanha, Inglaterra e Argentina – semifinalistas confirmadas – divulgaram suas relações de atletas por meio de publicações curtas em redes sociais ou coletivas de imprensa enxutas, o Brasil optou por um grande evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

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A apresentação brasileira contou com show de drones, participações musicais, transmissão ao vivo em emissoras abertas e por streaming, presença de centenas de profissionais de imprensa e produção digna de cerimônias de premiação. O investimento, não divulgado oficialmente, envolveu a parceria de patrocinadores e recursos da própria Confederação Brasileira de Futebol.

“No Campeonato Mundial de Cerimônias de Convocações 2026, o Brasil foi campeão absoluto”, ironizou um comentarista esportivo durante programa de televisão após a eliminação.

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Críticas apontam que o foco em marketing e entretenimento antecedeu o desempenho esportivo. Integrantes da comissão técnica, em entrevistas posteriores, defenderam a iniciativa, afirmando que a ação buscava aproximar a Seleção do público e valorizar a cultura nacional. No entanto, analistas lembram que, dentro de campo, a equipe esbarrou em problemas recorrentes: fragilidade na recomposição defensiva, pouca criatividade no meio-campo e dependência excessiva de lances individuais.

As seleções europeias finalistas, por sua vez, mantiveram rotina discreta de treinamentos e coletivas diárias curtas. Dirigentes da Federação Francesa de Futebol classificaram a estratégia como “foco total no trabalho”. A Associação Argentina de Futebol adotou postura semelhante, priorizando logística e recuperação física.

Especialistas em gestão esportiva ressaltam que ações de marketing são importantes para manter o engajamento de torcedores e patrocinadores, mas alertam para o risco de criação de expectativas desproporcionais. Para eles, a experiência brasileira serve de alerta a federações que planejam grandes lançamentos de elenco antes de competições.

O Mundial de 2026 prossegue nesta semana com as semifinais: França enfrenta a Inglaterra, e Argentina encara a Espanha. A final está marcada para 19 de julho, em Nova York.

Enquanto isso, a CBF inicia balanço interno sobre a campanha. Reformulações na comissão técnica e na preparação das seleções de base estão em avaliação, mas nenhuma decisão foi anunciada. Dirigentes indicam que mudanças estruturais só serão formalizadas após o encerramento oficial do torneio.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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