Após assumir o controle da empresa brasileira, a estatal colombiana indicou três novos membros para o conselho. A mudança reforça sua influência sobre as decisões estratégicas da companhia.
O Conselho de Administração da Brava Energia aprovou, nesta quarta-feira (19/08), a substituição de três de seus integrantes por profissionais com histórico de atuação na Ecopetrol. A decisão acontece poucas semanas depois de a estatal colombiana ter assumido o controle da companhia brasileira de energia, movimento que reorganiza a governança e altera o equilíbrio de forças no colegiado responsável por definir a estratégia corporativa.
Foram eleitos Catalina Velázquez Gil, Camilo Alfonso Barco e Julián Lemos Valero. Eles passam a ocupar, respectivamente, as vagas deixadas por Mateus Tessler, Ricardo de Queiroz Galvão e Henrique de Queiroz Galvão, que formalizaram renúncia na terça-feira (18/08). O trio recém-empossado cumprirá o restante dos mandatos em curso, sem alteração de prazo.
Velázquez desenvolveu carreira jurídica na Ecopetrol, chegando à Gerência de Hidrocarbonetos. Barco exerceu funções de alta direção na mesma empresa, enquanto Lemos liderou áreas de estratégia, novos negócios e processos de fusão e aquisição. Com seus perfis técnicos e proximidade com a controladora, a expectativa é de maior sintonia entre as diretrizes do grupo colombiano e os planos de expansão da Brava.
A troca de conselheiros ocorre num momento de ajustes no setor de energia brasileiro. A geração distribuída, segmento em que a Brava atua, enfrenta revisões regulatórias que podem influenciar margens e ritmo de investimento. Além disso, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 871 milhões no segundo trimestre de 2026, retração de 16,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando ambiente de maior pressão sobre resultados.
Em meses anteriores, a Brava vinha revisando portfólio e avaliando possíveis desinvestimentos, de modo a concentrar capital em ativos considerados estratégicos. A chegada de representantes da Ecopetrol fortalece a hipótese de sinergias operacionais na América Latina e de eventuais integrações logísticas, ainda que não haja, por ora, anúncios formais sobre mudanças na malha de produção ou refino.
No curto prazo, o conselho renovado deve deliberar sobre o plano de investimentos até 2030, que inclui projetos de transição energética e expansão de oferta em gás natural. Observadores de mercado avaliam que a visão de longo prazo da Ecopetrol poderá ampliar o foco em energia renovável, área na qual a estatal colombiana já tem estudado participação crescente.
Para investidores minoritários, o principal ponto de atenção será a política de dividendos. A retração dos lucros e a necessidade de financiar novos projetos podem levar a ajustes na distribuição de proventos. A companhia não atualizou projeções, mas indicou, em comunicados anteriores, que mantém compromisso com retornos competitivos, condicionados à sustentabilidade financeira.
As alterações na cúpula serão registradas na próxima ata societária e enviadas à Comissão de Valores Mobiliários, conforme as normas vigentes. Não estão previstas assembleias extraordinárias no horizonte imediato, salvo se o conselho julgar necessária nova convocação para ratificar qualquer mudança material no estatuto.
Com o quadro reformulado, a Brava Energia reforça a etapa de transição para uma estrutura corporativa alinhada aos interesses de sua nova controladora. Analistas observam que o comportamento das ações nos próximos pregões fornecerá sinalização sobre a confiança dos mercados na estratégia conjunta com a Ecopetrol.
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