Documentário sobre Temer estreia com Moraes e Gilmar como depoentes

Rafael Ramos
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Bruno Barreto lança '963 Dias', sobre o governo Michel Temer, na próxima sexta. Com 40 entrevistas, o filme traz ministros do STF e chega aos cinemas no 2º semestre de 2026.

O diretor Bruno Barreto lançará na 6ª feira (26.jun.2026) o documentário “963 Dias”, produção que reconstitui o período em que Michel Temer (MDB) permaneceu no comando do Palácio do Planalto, entre 2016 e 2019. A primeira exibição acontecerá no cinema do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, com acesso restrito a convidados. A distribuição comercial está prevista para o 2º semestre de 2026.

O longa-metragem resulta de aproximadamente 40 entrevistas conduzidas ao longo de dois anos. Entre os depoentes estão os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A proposta, segundo a equipe, é apresentar uma narrativa cronológica dos 963 dias do governo e contextualizar decisões políticas adotadas naquele período.

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“É um estudo de caso sobre o último governo não polarizado, que buscou consenso e procurou trazer a complexidade de volta para a política”, afirmou Barreto.

Responsável por sucessos como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “O Que É Isso, Companheiro?”, Barreto volta a investir em documentários políticos após experiências anteriores no gênero. A trilha sonora é assinada pelo compositor argentino Federico Jusid, conhecido por colaborações com produções latino-americanas e europeias.

Temer assumiu a Presidência de forma definitiva em 31 de agosto de 2016, depois de o Senado aprovar o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Antes disso, atuava como vice-presidente eleito na chapa de 2014 e ocupava o cargo interinamente desde 12 de maio de 2016, durante o afastamento da petista. O mandato se estendeu até 1º de janeiro de 2019.

Durante aqueles 963 dias, o governo se concentrou em uma agenda de reformas econômicas. Entre as iniciativas aprovadas estiveram o teto de gastos — que limitou o crescimento das despesas públicas — e a reforma trabalhista, cujo objetivo declarado foi flexibilizar contratos e estimular a geração de empregos. À época, defensores argumentaram que as medidas eram necessárias para conter a deterioração fiscal e retomar o crescimento, enquanto críticos alertaram para possíveis perdas de direitos e para o impacto social de cortes orçamentários.

A posse de Temer foi contestada por setores de esquerda, que classificaram o impeachment como “golpe” por não reconhecerem a materialidade de crime de responsabilidade. Já apoiadores do processo sustentaram a legitimidade constitucional do rito seguido pelo Congresso Nacional. O documentário pretende apresentar essas visões contrastantes sem adotar juízo de valor explícito, segundo seus realizadores.

A expectativa do diretor é que o filme estimule debate sobre a condução política em períodos de crise institucional. Para Barreto, revisitar decisões tomadas entre 2016 e 2019 pode ajudar a compreender o atual ambiente democrático e os desafios de formar maiorias parlamentares diante de um cenário de crescente fragmentação partidária.

Com pouco mais de uma hora e meia de duração, “963 Dias” combina trechos de entrevistas, imagens de arquivo e gráficos explicativos. A produção, orçada em aproximadamente R$ 4 milhões, conta com recursos privados obtidos via leis de incentivo e coprodução internacional. O cronograma de lançamento em circuito comercial será divulgado após a sessão de estreia.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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