Com 99,8% das urnas apuradas, Keiko Fujimori torna sua vitória irreversível no Peru. A candidata conservadora supera o esquerdista Roberto Sánchez por margem que não pode mais ser revertida.
A candidata de direita Keiko Fujimori consolidou nesta quarta-feira, 24/06, uma dianteira aritmeticamente impossível de ser revertida na disputa presidencial do Peru. Com 99,859% das urnas oficialmente apuradas, ela contabiliza 9.206.241 votos, o equivalente a 50,1% do total, enquanto o rival Roberto Sánchez, de esquerda, soma 9.162.855 sufrágios (49,82%). Restam cerca de 40 mil votos a serem contados, quantidade insuficiente para alterar o quadro, mesmo que todos eles fossem destinados ao adversário.
Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1938-2024) e líder do Força Popular, manteve crescimento constante na reta final graças, sobretudo, aos votos de peruanos residentes no exterior. A tendência confirma projeções de analistas que, desde a divulgação das primeiras atas eletrônicas, apontavam o eleitorado expatriado como fator decisivo para desempatar um pleito disputado voto a voto.
No campo oposto, Roberto Sánchez, representante do Juntos pelo Peru, informou que não reconhecerá o resultado caso a vitória de Keiko seja proclamada pelo órgão eleitoral. Em entrevista coletiva concedida na noite de terça-feira, 23/06, ele levantou suspeitas sobre o processo:
“Há uma fraude em curso. Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, declarou o candidato, sem apresentar provas.
Sánchez convocou apoiadores a realizar manifestações pacíficas e pediu uma nova verificação das atas. Até o momento, as autoridades eleitorais mantêm o cronograma de totalização e reiteram a transparência do sistema. Observadores internacionais destacados para acompanhar a eleição não relataram irregularidades significativas.
Além da disputa presidencial, a composição do Congresso também ganha contornos definidos. O Força Popular assegura a maior bancada, com 41 das 130 cadeiras na Câmara dos Deputados e 22 dos 60 assentos no Senado. Já o Juntos pelo Peru garantirá 32 vagas na Câmara e 14 no Senado, indicando que, caso Keiko confirme a vitória, terá uma base relativamente robusta para governar, mas ainda precisará negociar com outras legendas para aprovar reformas.
Especialistas ressaltam que, embora a margem favorável a Fujimori seja estreita, a vantagem se tornou matematicamente definitiva com a quantidade de votos remanescentes. A proclamação oficial do resultado será feita após a conclusão da contagem dos últimos boletins e a análise de eventuais recursos apresentados pelas campanhas.
Com a confirmação, Keiko Fujimori deverá assumir o Palácio de Governo em Lima em 28 de julho, data que marca o início do próximo mandato presidencial no país andino. Até lá, a tensão política deve permanecer, mas a transição começará a ser articulada, sobretudo na definição de nomes para a equipe econômica e para as áreas de segurança e relações exteriores.
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