A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (20), o projeto de reforma trabalhista do governo Javier Milei, texto com mais de 200 artigos que altera profundamente as relações de trabalho no país.
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Entre os pontos centrais, o texto eleva a jornada diária de oito para 12 horas, cria um banco de horas que permite compensar – e não necessariamente pagar – horas extras e estabelece novos limites ao direito de greve.
Alterações feitas no Congresso
Durante a passagem pelo Senado, senadores retiraram a possibilidade de as empresas quitarem salários com moradia ou alimentação. O pagamento deverá ser feito em dinheiro, seja em pesos ou em moeda estrangeira. Já na Câmara, deputados suprimiram o dispositivo que autorizava cortar em 50% o salário de trabalhadores afastados por licença médica. Como houve mudanças, o projeto voltará a ser analisado pelos senadores.
Greves e serviços essenciais
O texto restringe assembleias de trabalhadores em horário de expediente, exigindo autorização prévia do empregador. Além disso, classifica diversos setores como essenciais ou “transcendentais”, limitando a paralisação a, respectivamente, 25% e 50% dos empregados. Entre as atividades listadas como transcendentais estão a produção voltada à exportação, a indústria alimentícia, o sistema bancário e o transporte de passageiros.
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Reação sindical
Ontem, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, organizou uma greve geral de 24 horas contra a proposta e calculou adesão de 90%. “Este projeto de lei nos faz retroceder 100 anos em direitos individuais e coletivos”, declarou o co-secretário da entidade, Jorge Sola.
Argumentos do governo
Aliados do presidente defendem que a reforma reduzirá custos de contratação e trará mais trabalhadores à formalidade. O deputado governista Gabriel Bornoroni afirmou que a lei pretende “formalizar 50% dos trabalhadores informais” e que “só através do trabalho avançaremos”.
Outras mudanças previstas
- Revogação de estatutos profissionais específicos, entre eles os de jornalistas, cabeleireiros, motoristas privados e viajantes comerciais.
- Autorização para que empresas negociem condições inferiores às definidas em acordos nacionais de categoria.
- Criação do Fundo de Assistência Laboral (FAL) para financiar demissões, iniciativa contestada por sindicatos por, segundo eles, transferir recursos da Seguridade Social e baratear o desligamento de empregados.
- Transferência das competências da Justiça Nacional do Trabalho para a justiça comum ou federal.
- Possibilidade de fracionar férias conforme a necessidade da empresa, desde que cada período tenha no mínimo sete dias consecutivos.
- Classificação de trabalhadores de aplicativos como “prestadores independentes”, sem vínculo empregatício reconhecido.
- Revogação da lei de trabalho remoto que obrigava as companhias a custear internet, energia e equipamentos usados na residência do empregado.
Comparação regional
Enquanto a Argentina mantém a carga semanal em 48 horas e amplia a jornada diária, outros países da região caminham em sentido oposto. No Brasil discute-se o fim da escala 6×1 sem redução de salário, e, no México, o Senado aprovou a diminuição da jornada semanal de 48 para 40 horas.
Com informações de Agência Brasil
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