Eliminado pelo Atlético-MG na Copa do Brasil, o Cruzeiro viu a diretoria pedir desculpas à torcida. Pedro Junio assumiu responsabilidade e afirmou que o clube mira a classificação direta à Libertadores.
Horas depois da derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, que selou a eliminação celeste nas quartas de final da Copa do Brasil, o vice-presidente do Cruzeiro, Pedro Junio, fez um raro pronunciamento público. Em tom firme, o dirigente reconheceu o mau momento e assumiu responsabilidade pelos resultados.
“É pedir desculpas ao torcedor pela eliminação, mostrar nossa insatisfação — diretoria, comissão técnica e atletas — e assumir toda responsabilidade”, declarou.
A fala ocorreu ainda no Mineirão, minutos após o apito final. O Cruzeiro abriu o placar com um gol de Rafael Elias, mas sofreu a virada alvinegra no segundo tempo. Como a ida havia terminado empatada, o revés desta terça encerrou a campanha na competição nacional.
Pedro Junio afirmou que a prioridade imediata passa a ser o Campeonato Brasileiro. Na avaliação dele, garantir vaga direta na fase de grupos da Copa Libertadores de 2027 tornou-se “obrigação” para compensar as frustrações na temporada.
“Temos como obrigação a vaga na Libertadores. Vamos nos entregar mais no dia a dia para entregar esse resultado”, reforçou.
O Cruzeiro chega à reta final de 2026 fora dos dois torneios de mata-mata. Na Libertadores, a equipe caiu diante do Flamengo nas oitavas de final; na Copa do Brasil, foi superada pelo maior rival. Resta, portanto, o Brasileirão — onde, apesar do tropeço recente, o time reagiu: ocupa a 6ª posição com 39 pontos em 25 rodadas.
O próximo compromisso está marcado para domingo, 6 de setembro, às 16h, contra o Athletico-PR, no Mineirão. Um triunfo pode colocar a equipe no G-4, zona que assegura passagem direta para a Libertadores sem necessidade de fase preliminar.
Nos bastidores, a diretoria mantêm o técnico e afastou, por ora, mudanças drásticas no elenco. A estratégia passa por reforçar o aspecto emocional e cobrar entrega diária, discurso que o vice-presidente repetiu ao longo do pronunciamento:
“Todos trabalham, ninguém aponta dedo. Quando perdemos, perdemos juntos; quando ganhamos, ganhamos juntos.”
Em paralelo, o clube terá de administrar a pressão da arquibancada. A eliminação frente ao rival intensificou cobranças e rumores de protestos. Pedro Junio pediu “compreensão” e garantiu que críticas serão ouvidas, mas alertou que a torcida também “verá reação dentro de campo”.
Historicamente, o Cruzeiro soma seis títulos da Copa do Brasil, recorde da competição. A última conquista, porém, veio em 2023. Desde então, oscilações emplacaram três eliminações consecutivas até as quartas. No Brasileirão, o cenário é mais alentador: depois de flertar com a zona de rebaixamento em 2025, o clube reorganizou finanças, contratou reforços experientes e passou a somar pontos longe de casa — fatores que explicam a campanha de recuperação nesta edição.
Com 13 rodadas ainda por disputar, a corrida por vaga na Libertadores deve permanecer acirrada. Adversários diretos, como Grêmio e Fluminense, estão a dois pontos de distância. Cada resultado, portanto, tende a elevar ou atenuar a pressão interna. Para o Cruzeiro, o próximo passo é transformar o discurso de desculpas em vitórias que reconectem time e torcedor.
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