Cracas e algas travam petroleiros e ameaçam fornecimento global de petróleo

Rafael Ramos
4 Min Leitura

Navios parados por meses no Golfo Pérsico acumularam organismos marinhos nos cascos e agora enfrentam custosa limpeza antes de navegar. O problema agrava atrasos no Estreito de Ormuz e pode impactar o preço do combustível para o brasileiro.

Petroleiros de grande porte ancorados há cerca de quatro meses no Golfo Pérsico enfrentam agora um desafio adicional antes de retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz: a remoção de cracas, mexilhões, amêijoas, algas e outros organismos marinhos que se fixaram nos cascos durante o período de inatividade.

“Quatro meses? Nossa. É tempo mais do que suficiente para um monte de coisas nojentas se acumularem”, comenta Derek Hamm, mergulhador profissional da Obsessive Compulsive Divers, sediada em Marathon, Flórida.

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Segundo especialistas, a chamada bioincrustação representa um obstáculo logístico e financeiro importante. Enquanto o tráfego segue limitado pela crise na região, cerca de 600 navios aguardam autorização para cruzar o estreito. Cada embarcação ultrapassa 300 metros de comprimento, com uma área subaquática aproximada de 14 mil metros quadrados. Equipes formadas por cinco a seis mergulhadores precisam de quatro a cinco horas para limpar um único casco.

Os profissionais utilizam raspadores manuais, lanceiras de alta pressão e, nos casos mais difíceis, lixadeiras elétricas. Todo o processo deve preservar a pintura especial que reduz a aderência de organismos, sob pena de violações ambientais e contratuais impostas por seguradoras.

“No mundo marítimo, isso não é tão estranho assim”, acrescenta Hamm, que atua como limpador de casco.

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Com a demanda em alta, empresas de mergulho elevaram suas tarifas. Aron Sørensen, diretor de Meio Ambiente da associação internacional BIMCO, relata que os honorários alcançam valores de cinco dígitos por navio, incremento de alguns milhares de dólares em relação às práticas habituais.

“O trabalho é simples e não é complicado, mas esses navios são grandes demais para mergulhadores individuais”, observa Brian McCauley, proprietário da companhia McCauley Mooring and Diving, de Long Island Sound.

A limpeza faz diferença direta no consumo de combustível, que responde por cerca de 50% das despesas operacionais de um petroleiro, conforme Neil Roberts, chefe do setor marítimo da Lloyd’s Market Association. Superfícies irregulares aumentam o arrasto, elevam o gasto de energia e reduzem a velocidade de deslocamento em rotas que somam milhares de milhas até a Ásia ou a Austrália.

Além disso, organismos incrustados podem causar danos em válvulas de admissão e sistemas de refrigeração. As normas internacionais obrigam a remoção prévia desses materiais, a fim de impedir a propagação de espécies invasoras nos portos de destino. Seguradoras incluem cláusulas específicas para garantir a conformidade ambiental e proteger o desempenho mecânico das embarcações.

A alternativa de recorrer a rebocadores para sair rapidamente da zona de risco não dispensa a limpeza. Dentro ou fora do Estreito de Ormuz, o serviço precisa ser executado antes de qualquer travessia subsequente. A medida, embora custosa, é vista pelos armadores como um investimento necessário para restaurar a eficiência, reduzir o tempo de parada e evitar sanções regulatórias.

“É um problema antigo”, lembra Roberts, mencionando que séculos atrás navios de guerra eram revestidos de cobre para dificultar a fixação de organismos e preservar a estrutura.

Enquanto o impasse geopolítico persiste, a questão da bioincrustação se soma aos fatores que limitam o fluxo global de petróleo. Especialistas avaliam que a limpeza dos cascos será determinante para que a frota volte a operar em plena capacidade, passo essencial para estabilizar a oferta mundial de energia.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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