O bolso do brasileiro sentiu o baque em junho: o consumo recuou 1,7%, a maior queda desde março. A sequência negativa revela que a economia perde força no segundo trimestre.
O IDAT-Atividade, índice calculado pelo Itaú para acompanhar transações com cartões e outros meios eletrônicos de pagamento, voltou a indicar perda de fôlego na economia em junho. O indicador caiu 1,7% em relação a maio, descontados os efeitos sazonais. Foi a segunda retração seguida e a mais acentuada desde março, quando o índice já havia registrado uma primeira inflexão negativa.
O movimento confirma a deterioração da trajetória observada no segundo trimestre. Depois de avançar 1,7% em março, o IDAT praticamente ficou estável em abril (-0,1%), recuou 1,4% em maio e aprofundou a queda em junho. Analistas do mercado costumam associar esse comportamento ao ambiente de juros elevados e à concessão de crédito mais restrita, fatores que tornam o consumo de bens duráveis e serviços mais sensíveis ao custo de financiamento.
Entre as duas grandes categorias monitoradas pelo banco, serviços apresentaram a maior variação negativa: queda de 2,2% no mês. O recuo foi generalizado, atingindo restaurantes, hospedagem, lazer, salões de beleza e outros serviços pessoais. Já o conjunto de bens encolheu 1,1%. Dentro desse grupo, setores ligados diretamente à renda, como supermercados, subiram 0,5%, enquanto segmentos dependentes de financiamento recuaram 3,1%.
Preços vistos na Amazon em 16/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
O impacto foi mais visível no segmento de veículos, motos e peças (-4,0%), seguido por móveis, eletrodomésticos, materiais de construção e equipamentos de informática e comunicação. Esses dados reforçaram a percepção de que a política monetária restritiva afeta primeiro os itens parcelados de maior valor.
A desaceleração apareceu em todas as regiões do país. O Sudeste registrou retração de 2,5%, o Sul de 2,7%, enquanto Nordeste e Centro-Oeste caíram 0,7% cada, e o Norte, 0,3%. O único destaque positivo entre os setores acompanhados foi o de pet shops, com avanço anual de 4,1%. Shopping centers recuaram 2,1%, e lojas de departamento ficaram praticamente estáveis (-0,2%).
Especialistas ouvidos pelo mercado avaliam que o padrão observado é compatível com outros indicadores de atividade que já vêm apontando desaceleração gradual. Embora o emprego siga resiliente, os novos dados sugerem que a geração de vagas não tem sido suficiente para neutralizar o encarecimento do crédito e a perda de poder de compra em determinados segmentos.
Se a tendência for confirmada nos próximos levantamentos oficiais, economistas projetam um segundo trimestre marcado por crescimento mais moderado do que o registrado no início do ano. Para eles, o enfraquecimento simultâneo de bens duráveis e serviços indica que o ambiente de juros altos continuou a limitar o ímpeto do consumo das famílias.
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